Resenha | O mal nosso de cada dia, de Donald Ray Pollock

Estreia amanhã (16/09) na Netflix o filme O diabo de cada dia (The devil all the time), com direção de Antonio Campos, produção de Jake Gyllenhaal e um elenco estrelado, que inclui, entre outros, Tom Holland e Robert Pattinson. O filme é uma adaptação de O mal nosso de cada dia, primeiro romance de Donald Ray Pollock, que saiu em 2011 e acabou de ser publicado no Brasil pela DarkSide Books.

O livro se passa em cidadezinhas dos estados americanos de Ohio e da Virgínia Ocidental, entre 1945 e meados da década de 1960. É lá que vivem os personagens problemáticos e perturbados criados por Pollock, que terão seus caminhos cruzados em diferentes momentos da narrativa.

“A não ser que tivesse uísque correndo nas veias, Willard ia à clareira todas as manhãs e noites pra falar com Deus. Arvin não sabia o que era pior, a bebida ou a reza. Pelo que conseguia se lembrar, seu pai parecia enfrentar o Diabo o tempo inteiro.”

Praticamente todos eles são movidos por impulsos destrutivos que não conseguem conter: fanatismo religioso, vício em sexo, alcoolismo, sadismo… Mesmo Arvin Russell, que é o personagem que pode ser visto como “o mocinho” do livro, tem um senso de justiça que sempre culmina em violência.

E violência não falta em O mal nosso de cada dia. Durante a leitura, nos deparamos com assassinatos, suicídio, crueldade (inclusive contra animais), bullying e abuso sexual. Os personagens são marcados por diversos traumas e a tragédia parece ser o destino inevitável de cada um deles.

O escritor norte-americano Donald Ray Pollock. (Foto: Reprodução)

Porém, mesmo sendo um livro bastante pesado, é impossível parar de ler. Isso se deve totalmente ao talento de Donald Ray Pollock. O autor, que começou a escrever quando já tinha mais de 50 anos, tem um texto claro e preciso. As passagens mais fortes são narradas com neutralidade, sem exageros ou glamourização da violência. A história tem várias idas e vindas no tempo, mas a narrativa jamais fica confusa.

O mal nosso de cada dia é uma obra incômoda, que eu não indico para leitores muito sensíveis. Mas é um belíssimo livro sobre escolhas, destino e os demônios internos que todos precisam encarar.


O MAL NOSSO DE CADA DIA
Autor: Donald Ray Pollock
Tradução: Paulo Ravieri
Editora: DarkSide Books
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon | DarkSide Books

*Livro recebido através da parceria com a DarkSide Books.


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

Um comentário em “Resenha | O mal nosso de cada dia, de Donald Ray Pollock

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s