Resenha | Eu, robô, de Isaac Asimov

Eu, robô
Autor: Isaac Asimov
Tradução: Aline Storto Pereira
Editora: Aleph
Páginas: 320
Onde comprar: Amazon

Isaac Asimov (1920-1992) é a maior referência quando o assunto são os robôs na ficção científica. O escritor russo, naturalizado norte-americano, escreveu diversas histórias sobre autômatos e nove delas foram reunidas no livro Eu, robô, lançado originalmente em 1950.

A obra começa em 2057, quando a renomada psicóloga roboticista Susan Calvin aceita dar uma entrevista pouco antes de se aposentar. Seu relato e suas lembranças são os fios que unem os nove contos do livro, que narram o desenvolvimento da tecnologia robótica.

Embora seja um clássico, Eu, robô tem alguns defeitos na minha humilde opinião; quero falar sobre eles antes de destacar as qualidades do livro.

O escritor Isaac Asimov em 1984. (AP Photo/Mario Suriani)

Pra começar, muitos contos seguem a mesma fórmula: um robô passa a apresentar um comportamento inesperado e cabe aos profissionais da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. descobrir o que há de errado com ele.

Muitas dessas anomalias são investigadas pelos especialistas Greg Powell e Mike Donovan. Esses personagens têm uma função cômica no livro, mas eu os achei meio bobos… A única personagem humana mais interessante (muito interessante, aliás) é justamente Susan Calvin.

Como várias histórias se passam em colônias espaciais (regras restringem o uso de robôs na Terra), poucos humanos interagem com as criaturas robóticas. O receio que as pessoas têm dos robôs é citado algumas vezes e fica explícito na primeira história, Robbie, mas o tema é pouco explorado.

Mas se Asimov não caprichou tanto nas situações que envolvem os humanos, a apresentação da evolução dos robôs faz com que o livro seja merecidamente chamado de clássico.


Sem dúvida, o principal trunfo da obra está na apresentação das Três Leis da Robótica:

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido;
2 – Um robô deve obedecer as ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei;
3 – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.

São essas leis que guiam as ações de todos os robôs, gerando diversos dilemas, dúvidas e paradoxos em suas mentes eletrônicas. Em muitas das histórias, o que parece ser um mau funcionamento ou uma ameaça à raça humana, é apenas uma adequação dos robôs para que as Três Leis não sejam desrespeitadas.

Aliás, as Leis da Robótica estão entre os poucos elementos de Eu, robô que foram aproveitados no filme de mesmo nome estrelado por Will Smith em 2004. Os nomes de alguns personagens também se repetem, mas, no livro, não há nenhum detetive investigando robôs suspeitos de assassinato.

Em Eu, robô, Asimov tem uma visão extremamente otimista sobre a inteligência artificial e a forma como o autor desenvolve o potencial de seus robôs é muito interessante.

Apesar dos problemas citados anteriormente, a leitura vale a pena. É ótimo entrar em contato com uma obra tão importante dentro de seu gênero e perceber como ela influenciou muito do que veio depois dela. Sem falar que a edição da Aleph é incrível!

AVALIAÇÃO

3-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan.

3 comentários em “Resenha | Eu, robô, de Isaac Asimov

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