Resenha | ‘Good Omens – Belas Maldições’: o fim do mundo na visão de Neil Gaiman e Terry Pratchett

“Você cresce lendo sobre piratas, caubóis, homens do espaço, essas coisas, e justo quando você pensa que o mundo está cheio de coisas fantásticas, eles te dizem que a verdade é que ele está cheio é de baleias mortas, florestas devastadas e lixo nuclear que vai ficar por aí milhões de anos. Mundinho boboca de se crescer, se você quer minha opinião.”

Em minha adolescência, eu tinha vários cadernos nos quais anotava frases que me marcavam nos livros que lia. Caso eu ainda tivesse esse costume, Good Omens – Belas Maldições teria páginas e mais páginas anotadas por mim. Já no primeiro dia de leitura eu não conseguia largar essa história cheia de ironia, momentos fortes e “cutucadas” em nossa sociedade. Seriam justamente trechos como esse aí de cima que iriam para os meus cadernos.

Seja você religioso ou não, tendo lido a bíblia ou passado longe dela, creio que em algum momento já ouviu falar sobre o Apocalipse, a última parte do livro sagrado do cristianismo que narra os acontecimentos do fim do mundo.

Em Good Omens – Belas Maldições, de Neil Gaiman e Terry Pratchett, descobrimos que o fim do mundo está próximo. Na verdade, acontecerá no próximo sábado.

Terry Pratchett (1948-2015) e Neil Gaiman (Foto: Reprodução)

Em meio aos personagens mais variados que poderiam atravessar essa história, temos Aziraphale e Crowley, um anjo e um demônio que há séculos vivem em Londres. Extremamente apegados à humanidade e ao planeta, eles não querem participar da batalha final entre o bem e o mal e, por isso, se unem a fim de impedir tais eventos.

Pensam que talvez seja necessário exterminar o anticristo, que já nasceu e vive entre nós. O problema é que o tal anticristo é um garotinho de 11 anos, preocupado com a natureza, apaixonado por seu cãozinho, bom filho e o melhor companheiro que seus três melhores amigos poderiam ter.

Numa aventura com crianças, anjos, demônios, profetizas, caçadores de bruxas, cavaleiros do apocalipse e muito mais, os autores provocam boas risadas e reflexões necessárias!

Good Omens – Belas Maldições inspirou a série de mesmo nome, produzida por Neil Gaiman para o Amazon Prime Video. Pensada a princípio como minissérie (uma vez que a primeira temporada contemplou todos os eventos do livro), ela foi renovada e a sua continuação já está sendo gravada.

Segundo o próprio Gaiman, essa nova temporada dará vida às ideias que ele e Prachett (morto em 2015) tinham para a continuação do livro.


GOOD OMENS – BELAS MALDIÇÕES
Autores:
Neil Gaiman e Terry Pratchett
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 364
Onde comprar: Amazon


Postado por Carla Furlan

É publicitária, atriz e bailarina. É fã de O Senhor dos Anéis, Game of Thrones e do diretor Quentin Tarantino. Na música, adora Nando Reis, Beatles, Elvis e até hoje ama os Backstreet Boys.

Resenha | ‘Ictus: O Prisioneiro Sem Nome’, de Marcelo Marçal

É normal cometer alguns exageros quando vamos fazer alguma coisa pela primeira vez. Pesar a mão no sal, por exemplo, na hora de cozinhar um prato diferente. Ou querer usar todas as cores disponíveis ao entrar em uma aula de pintura. Em Ictus: O Prisioneiro Sem Nome, seu livro de estreia, Marcelo Marçal também exagera na quantidade de elementos presentes na trama.

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Resenha | ‘Mindhunter Profile: Serial Killers’: um mergulho sombrio e fascinante na mente de criminosos

Perdi as contas de quantas vezes assisti séries como CSI e Law & Order, além de tantos filmes que retratavam investigações criminais. Recentemente, tenho ouvido podcasts e lido mais sobre o assunto, o que me levou a Mindhunter Profile: Serial Killers.

Este incrível livro escrito por Robert K. Ressler e Tom Shachtman nos ajuda a conhecer mais a fundo a mente de criminosos, descobrindo o que os motiva a cometer crimes tão violentos. E ainda, como o FBI e as polícias locais norte-americanas atuaram em parceria para realizar prisões de forma mais rápida e eficaz. Se hoje quase não ouvimos falar sobre novos casos de assassinos em série, devemos muito ao trabalho iniciado na década de 1970.

Ressler foi agente do FBI e atuou na Unidade de Ciência Comportamental. Esse departamento, através de entrevistas com presos perigosos, conseguiu traçar um perfil comportamental dos mesmos, analisando suas vidas, mentes e crimes. Chegando ao padrão de ação desses criminosos, digamos que “ficava mais fácil prever” quais seriam seus próximos passos, diminuindo assim sua atuação.

Entre os presos entrevistados por Robert Ressler e seus parceiros podemos destacar Ed Kemper, Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, Richard Chase, David Berkowitz e, talvez o mais famoso de todos, Charles Manson.

O escritor e ex-agente do FBI Robert K. Ressler. (Foto: Reprodução)

No livro temos relatos das entrevistas e investigações, e também do quanto esse trabalho teve um grande peso em sua vida pessoal. Diversas vezes, Ressler deixou compromissos familiares para se envolver em novos casos de investigação.

Em seu meio de atuação, Robert Ressler foi muito respeitado e, além dos livros que lançou, foi consultor de Thomas Harris na escrita do clássico O Silêncio dos Inocentes (confesso que tenho um medinho do Anthony Hopkins até hoje por causa do filme baseado no livro). Foi ainda a inspiração para o personagem Bill Tench, interpretado por Holt McCallany, na série Mindhunter.

Embora tenha apenas duas temporadas e tenha sido abandonada de certa forma (nunca foi cancelada, mas a equipe partiu para outros trabalhos), a produção da Netflix aparece em várias listas de melhores séries de todos os tempos. Apesar de não ser uma adaptação direta de Mindhunter Profile, ela apresenta diversas situações narradas aqui.

Vale destacar o capricho da edição da Darkside Books, que traz fotos, documentos, citações e aquela qualidade gráfica que a gente já conhece tão bem!

Já estou doida pra ler o segundo volume, Mindhunter Profile 2: Mundo Serial Killer. Nele, Ressler e Shachtman contam como os protocolos de investigação apresentados aqui foram usados em outros países, como Japão, África do Sul e Reino Unido. O volume ainda traz entrevistas feitas por Ressler com os assassinos John William Gacy e Jeffrey Dahmer.


MINDHUNTER PROFILE: SERIAL KILLERS
Autores:
Robert K. Ressler e Tom Shachtman
Tradução: Alexandre Boide
Editora: DarkSide Books
Páginas: 416
Onde comprar: Amazon | DarkSide Books

Livro recebido através da parceria com a editora.


Postado por Carla Furlan

É publicitária, atriz e bailarina. É fã de O Senhor dos Anéis, Game of Thrones e do diretor Quentin Tarantino. Na música, adora Nando Reis, Beatles, Elvis e até hoje ama os Backstreet Boys.

Resenha | ‘Love – A História de Lisey’ é um dos livros favoritos de Stephen King, e não é por acaso

Sabe quando a gente diz que algo é “uma viagem”? Pois é, Love — A História de Lisey é uma verdadeira viagem, no melhor sentido dessa expressão. Stephen King nos conduz por lugares e situações impressionantes e intensas. E é incrível: meu cérebro tem o registro exato de cada um desses lugares visitados. Talvez aí resida parte da genialidade do autor. Mesmo que não haja descrições extremamente detalhadas dos cenários, eu conseguia me sentir dentro de cada um deles.

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