Resenha | Dança sueca, de Vera Saad

DANÇA SUECA
Autora: Vera Saad
Editora: Patuá
Páginas: 232
Avaliação: 4-estrelas-muito-bom / Muito bom
Onde comprar: Amazon

*Livro recebido através da parceria com a Oasys Cultural.

Em Dança sueca, Vera Saad narra a vida de um grupo de personagens ligados por laços familiares, de amizade e sexuais, sendo que esses dois últimos estão frequentemente entrelaçados. São as relações entre esses personagens que movem o romance, que foi enviado para o blog pela agência Oasys Cultural.

Segredos

Três deles ocupam o centro do livro: a manauara Angel, que se muda de Manaus para São Paulo, a pianista Filipa Maria, que é negra e lésbica, e seu sobrinho Birá, que é também o narrador da história. Todos eles apresentam alguma fragilidade, desencadeada por traumas e segredos do passado.

Esses segredos, aliás, são importantíssimos em Dança sueca: são eles que conectam Angel e Filipa Maria, além da paixão pela música clássica — o título do livro se refere às Danças suecas do compositor alemão Max Bruch (1838-1920). Birá também tem sua cota de mistério: ele se relaciona com homens e mulheres e Vera Saad, com engenhosidade, nunca deixa claro a qual gênero ele pertence (pelo posfácio do livro, podemos deduzir que ele é um homem, mas não podemos afirmar com certeza).

Além da questão da homossexualidade, a autora aborda outros temas delicados: suicídio, aborto, racismo, doenças mentais… Ainda assim, o livro não é pesado e o desfecho transmite serenidade.

A escritora Vera Saad.

Narrador “oculto”

O que mais me agradou em Dança sueca foi a forma como Vera Saad construiu a narrativa. O livro trabalha bastante com as memórias dos personagens e, por isso, apresenta várias idas e vindas no tempo. O texto exige atenção e pode ser um pouco confuso no começo, mas, depois que o leitor entra no ritmo, a leitura fica bastante fluida. As frases da autora são precisas e a forma como ela “oculta” seu narrador é brilhante. O romance faz várias citações ao escritor Milton Hatoum e seu romance Cinzas do Norte.

Apesar de duas folhas terem se soltado durante a leitura, a edição da Editora Patuá é muito interessante. O livro tem um formato maior do que o habitual (18×25 cm) e a fonte usada no texto é enorme. Existe um capricho especial na diagramação do sumário e nas aberturas das três partes que compõe o romance, nomeadas Dueto, Ciranda e Quadrilha.

Dança sueca foi lançado em abril deste ano e é apenas o segundo romance de Vera Saad (antes ela já tinha publicado Telefone sem fio, em 2014, e o volume de contos Mind the gap, em 2011, todos pela Patuá). Sem dúvida, é uma autora que merece a atenção de todos que se interessam pela literatura brasileira contemporânea.

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