Com temas ainda atuais e uma construção muito interessante, ‘Carrie’ conserva seu frescor até hoje

Primeiro livro de Stephen King, Carriefoi resenhado pela Carla aqui no blog em 2016. Mas como a obra ganhou uma edição especial (dentro da ótima coleção Biblioteca Stephen King, com capa dura, nova tradução e sem o aposto “a estranha” no título), achei válido fazer um novo post sobre ele, agora com a minha opinião.

Como tantas adolescentes, Carrie White quer fazer amigos, paquerar e se divertir no Baile de Primavera da escola. O problema é que existem alguns monstros em seu caminho — e não estou falando de vampiros ou fantasmas. Os monstros que apavoram Carrie são seus colegas e, principalmente, sua mãe, Margaret.

A mulher é uma fanática religiosa que, entre outras coisas, jamais conversou com a filha sobre o ciclo menstrual, por considerar que esse processo biológico é pecaminoso. Por isso, Carrie entra em pânico ao ficar menstruada pela primeira vez, no vestiário da escola. Ela pensa estar com uma hemorragia fatal. Isso faz com que o bullying, que Carrie sempre sofreu das outras estudantes, se intensifique.

A cena do vestiário, que aparece bem no começo do livro, é fundamental, pois desencadeia acontecimentos decisivos para o destino dos personagens. Enquanto duas das garotas envolvidas no bullying, Sue e Chris, são proibidas de ir ao baile (e reagem de maneiras bem diferentes à punição), Carrie descobre que tem poderes telecinéticos — ou seja, é capaz de mover objetos com a mente.

Capa da nova edição de 'Carrie', de Stephen King.
Capa da nova edição de ‘Carrie’, de Stephen King.

Embora a trama de Carrie seja bem conhecida (graças também ao filme de 1976, dirigido por Brian De Palma), tendo sido homenageada/parodiada inúmeras vezes, o livro consegue manter seu frescor até hoje. Os temas (vingança, fanatismo, bullying) continuam atuais. A construção do texto também é muito interessante.

Stephen King insere na narrativa trechos de livros, entrevistas, notícias e até conclusões de uma tal “Comissão White”, que teriam sido produzidos após os acontecimentos narrados na obra. Durante a leitura, fica claro que o clímax da história terá um evento grandioso e chocante (e se você apenas viu o filme de De Palma, saiba que a escala aqui é um pouco maior).

De maneira similar, King também faz seu narrador antecipar brevemente alguns acontecimentos importantes da trama. Por exemplo, logo depois de descrever um instante de felicidade de três personagens, o autor não perdoa: “Ele e ‘fulano’ e ‘fulana’ tinham menos de duas horas de vida.” Longe de estragar a leitura, esses pequenos spoilers aumentam ainda mais a curiosidade do leitor.

O autor introduz Carrie como uma vítima, mas não a transforma em uma heroína. Como nas tragédias gregas, parece que ela não tem a menor chance de escapar do seu destino. O leitor sente pena da personagem, ao mesmo tempo que condena (mesmo entendendo, de certa forma) suas decisões.

Stephen King escreveria livros ainda melhores no futuro, mas, depois da excelente estreia com Carrie, já era possível deduzir que ele teria uma carreira brilhante pela frente.


CARRIE
Autor:
Stephen King
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Suma
Páginas: 208
Onde comprar: Amazon | Companhia das Letras

Livro recebido através da parceria com a editora.


Lucas Furlan é formado em Rádio e TV e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um apaixonado por livros.

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