Resenha | The Dark Man, de Stephen King

Randall Flagg é um vilão recorrente no universo de Stephen King. Ele é uma figura importante em obras como A dança da morte (1978), Os olhos do dragão (1984) e A Torre Negra (1982-2012), às vezes com aparências e nomes diferentes. Mas foi no poema The Dark Man, escrito por King na época da faculdade, que Flagg deu as caras pela primeira vez, ainda identificado apenas como “o homem de preto”.

Desenhos de Glenn Chadbourne representando Stephen King (à esquerda) e a si próprio.

The Dark man: o homem que habita a escuridão, que a DarkSide Books acabou de publicar, apresenta esse poema — com tradução e posfácio de Cesar Bravo — acompanhado de ilustrações em preto e branco de Glenn Chadbourne.

É justo dizer que os desenhos são tão importantes para o livro quanto o texto de King. O poema é curto (pouco mais de quarenta versos divididos em cinco estrofes), e Chadbourne fez um desenho diferente pra cada verso. Não por acaso, a DarkSide lançou o livro pelo selo DarkSide Graphic Novel, voltado para títulos da nona arte.

A desolação do Homem de Preto

No poema, escrito em primeira pessoa, o “homem de preto” se apresenta vagamente e descreve os caminhos que percorreu até ali. Sua figura é sombria e suas frases são tensas e enigmáticas. Na última estrofe ele confessa um crime e deixa uma ameaça suspensa no ar.

Ao longo dos versos, fica claro seu desprezo e rancor contra a ordem estabelecida. O “homem de preto” cita o som dos coquetéis que ele ouve do lado de fora das portas, e os motoristas que dirigem com conforto e segurança, enquanto ele pede carona na estrada.

Os desenhos de Glenn Chadbourne refletem com perfeição a visão do protagonista. O “homem de preto” é sujo e assustador, e os cenários parecem abandonados, cheios de serpentes, aranhas e outros animais peçonhentos. Algumas ilustrações apresentam rostos fantasmagóricos camuflados na paisagem. Parece que Randall Flagg leva a desolação por onde passa. Ao mesmo tempo, é como se o leitor pudesse enxergar o mundo da mesma forma que o “homem de preto”, ou seja, como um lugar sombrio e perigoso.

O livro é curto — infelizmente —, por isso sugiro que você leia a obra duas vezes seguidas. Depois de conhecer o poema na íntegra, a segunda leitura vai revelar detalhes, tanto no texto quanto nas ilustrações, que podem ter passado batido da primeira vez.

The Dark Man: o homem que habita a escuridão não é o livro mais indicado pra quem vai ter o primeiro contato com a obra de Stephen King. Existem obras bem mais acessíveis e “convencionais”. Mas pra você que é fã do autor e quer ter mais uma edição espetacular da DarkSide na estante, com um formato único e ilustrações espetaculares, The Dark Man é obrigatório!


Avaliação: 4.5 de 5.

THE DARK MAN: O HOMEM QUE HABITA A ESCURIDÃO
Autores:
Stephen King (texto) e Glenn Chadbourne (ilustrações)
Tradução: Cesar Bravo
Editora: DarkSide Books
Páginas: 160
Onde comprar: Amazon | DarkSide Books

*Livro recebido através da parceria com a DarkSide Books.


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

2 comentários em “Resenha | The Dark Man, de Stephen King

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