Resenha | Sobre a imortalidade de Rui de Leão, de Machado de Assis

SOBRE A IMORTALIDADE DE RUI DE LEÃO
Autor:
Machado de Assis
Editora:
Plutão
Páginas:
76
Avaliação: 4-estrelas-muito-bom
/ Muito bom
Onde comprar:
Amazon

Considerando que uma das obras mais importantes de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, é um romance narrado por um defunto, não chega a causar tanto espanto descobrir que o “Bruxo do Cosme Velho” escreveu não uma, mas duas versões de um conto cujo protagonista é um homem incapaz de morrer. São essas duas narrativas que a Plutão reuniu em Sobre a imortalidade de Rui de Leão.

Um homem imortal

Os contos são Rui de Leão (de 1872) e O imortal (de 1882). Com algumas variações, a trama dos dois é basicamente a mesma: no século XVII, um homem branco, Rui de Leão, se casa com uma índia e vai viver com ela em sua tribo. Em determinado momento, ele recebe do pajé (que também é seu sogro) uma bebida misteriosa e secreta, que, segundo o curandeiro, seria capaz de torná-lo imortal.

O protagonista não acredita nas propriedades da poção, mas precisa apelar a ela quando contrai uma grave doença. Pra sua surpresa, o pajé falara a verdade: ao tomar uma pequena dose, Rui de Leão se torna imortal.

Acompanhamos, então, sua vida pelos séculos seguintes. Rui de Leão viaja pelo mundo inteiro exercendo diferentes atividades, vivendo muitas aventuras e conquistando inúmeras mulheres. Ele sobrevive a guerras, sentenças de morte, duelos e traições. Com tempo de sobra, ele se torna um especialista em diferentes áreas do conhecimento humano e presencia momentos históricos, como a Revolução Francesa e a Independência do Brasil.

Mas nem tudo é felicidade: como acontece com outros personagens da literatura e do cinema que possuem a vida eterna, Rui de Leão precisa lidar com o tédio e, principalmente, com a perda frequente de amigos e familiares.

Precursor da ficção científica brasileira

Tanto Rui de Leão quanto O imortal são leituras muito interessantes, principalmente a segunda. Embora as tramas sejam quase idênticas, há diferenças, inclusive no estilo: Rui de Leão é mais irônico, mas O imortal é bem mais complexo e detalhado — fica evidente o quanto Machado de Assis evoluiu nos dez anos que separam os contos.

Muitos críticos apontam que essas duas narrativas fazem de Machado de Assis um dos precursores da ficção científica brasileira. Como são obras menos conhecidas, é ótima a iniciativa da Plutão de relançá-las. Só é uma pena que Machado não tenha levado seu protagonista para o futuro — os contos terminam no final do século XIX, mais ou menos na época da publicação. Seria incrível descobrir como o escritor imaginaria as próximas centenas de anos.

Sobre a imortalidade de Rui de Leão está disponível em eBook e faz parte do catálogo do Kindle Unlimited. Além dos dois contos, o leitor encontra um ótimo prefácio, no qual Roberto de Sousa Causo traça um panorama da ficção científica no Brasil. Recomendo!

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