Resenha | Heavier than heaven – Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross

Heavier than heaven – Mais pesado que o céu
Autor: Charles R. Cross
Tradução: Cid Knipel
Editora: Globo Livros
Páginas: 456
Onde comprar: Amazon

Heavier than heaven – Mais pesado que o céu é um livro obrigatório pra todo mundo que, como eu, é fã do Kurt Cobain. Essa biografia narra toda a vida do líder do Nirvana e apresenta detalhes reveladores de sua carreira e de sua intimidade. Mas, antes de iniciar a leitura, o leitor deve respirar fundo: o livro é fascinante, mas também é tristíssimo. E não tinha como ser diferente.

Engana-se quem pensa que as agruras na vida de Kurt, que o levaram ao suicídio com apenas 27 anos, começaram com a pressão do sucesso e o vício em heroína. Elas são bem mais antigas.

Quando tinha 9 anos, seus pais, Don e Wendy, se separaram. Kurt nunca superou o divórcio e as brigas que se seguiram, e deixou de ser um garotinho feliz e tagarela, para se tornar cada vez mais retraído e rebelde – características que só se acentuaram à medida que ele crescia.

O comportamento difícil de Kurt fez com que ele jamais se adequasse às novas famílias que seus pais formaram. Por isso, ele passou toda a adolescência morando de favor com diferentes parentes e amigos.

A raiva e a rebeldia de Kurt começaram a ser canalizadas quando ele descobriu o punk rock e percebeu que a música era a sua verdadeira vocação.

As páginas que cobrem o período “pré-fama” de Kurt Cobain são as mais agradáveis do livro. Apesar dos problemas familiares e da falta de dinheiro, é fantástico ler sobre a formação do Nirvana: os shows caóticos, a amizade com o baixista Krist Novoselic, a dificuldade de encontrar um baterista fixo, as turnês intermináveis…

O título do livro, aliás, foi retirado do nome de uma turnê que o Nirvana fez ao lado da banda Tad. Heavier than heaven (mais pesado que o céu, em português) servia para definir tanto o som agressivo do Nirvana, quanto a forma física de Tad Doyle, vocalista do Tad, que pesava 130 quilos.

Pelos relatos dessa época, já dava pra perceber como Kurt era uma figura contraditória. Ele gostaria de manter os ideais do punk, mas também desejava fazer sucesso. Ele se esforçava para dar o seu melhor nos shows, mas sempre se sentia inseguro.

O sucesso chegou em 1991, com o lançamento do segundo álbum do Nirvana, o clássico Nevermind. O disco vendeu milhões de cópias no mundo todo, mas Kurt não estava preparado para as mudanças que acompanharam a fama.

Enquanto Nevermind era gravado, Kurt não tinha nem onde morar e dormia no seu carro. Depois do lançamento do álbum, ele passou a ser chamado de “voz de sua geração” e seu rosto se tornou conhecido em todo o planeta. O dinheiro começou a aparecer e isso atraiu bajuladores, além de gerar disputas por direitos autorais.

Mas a vida de Kurt ainda passou por outras grandes transformações nessa época: ele começou a usar heroína (apesar de sempre ter tido medo de agulhas), se casou com a cantora Courtney Love e se tornou pai, após o nascimento de sua única filha, Frances Bean Cobain.

Apesar de finalmente ter conquistado dois objetivos que ele sempre buscara — ter uma família e fazer sucesso com sua música —, Kurt perdeu o rumo. Sua predisposição à autodestruição foi potencializada pelo vício, e sua morte passou a ser apenas questão de tempo, como o suicídio, infelizmente, provou.

Charles R. Cross conheceu Kurt e escreve sobre ele com um carinho perceptível, assim como sobre Courtney Love, que costuma ser vista, erroneamente, como a grande vilã da história. Cross baseou seu trabalho em mais de 400 entrevistas, e Heavier than heaven levou 4 anos pra ficar pronto. O autor também teve acesso aos diários de Kurt e vários trechos são reproduzidos no livro, assim como o seu bilhete de despedida.

No mundo do show business, com fãs e imprensa inclusos, há um apetite mórbido pela decadência dos artistas. Foi assim com Kurt Cobain, o líder do Nirvana.

O que o livro de Charles R. Cross faz é apresentar o ser humano que existiu por trás do ídolo. Além das guitarras quebradas, dos milhões de discos vendidos e das seringas com heroína, existia um homem. E, dentro desse homem, nunca deixou de existir um garotinho solitário que foi incapaz de superar a separação de sua família.

Essencialmente, é a história desse garotinho que é contada em Heavier than heaven – Mais pesado que o céu. É por isso que o livro é tão triste.

MINHA AVALIAÇÃO

5-Otimo

2 comentários em “Resenha | Heavier than heaven – Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross

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