Crítica | Fahrenheit 451 (2018)

A nova adaptação cinematográfica de Fahrenheit 451, baseada no clássico de Ray Bradbury e dirigida por Ramin Bahrani, estava cercada de altas expectativas. Afinal, o filme foi produzido pela HBO, teve sua estreia mundial no Festival de Cannes e é estrelado por Michael B. Jordan, um dos atores mais badalados de Hollywood atualmente. No entanto, o filme deixa muito a desejar.

Fahrenheit 451 se passa num futuro distópico onde os livros são proibidos. Nesse futuro, os bombeiros mudaram de função: ao invés de combater incêndios, cabe a eles localizar e incinerar os poucos livros que restaram no mundo.

Um desses bombeiros é o protagonista Guy Montag, vivido por Jordan no filme. Depois de conhecer a jovem Clarisse McClellan e de presenciar um ato extremo realizado por uma velha leitora, ele passa a questionar a destruição dos livros e os valores defendidos pela sociedade em que vive.

A distopia de Ray Bradbury trata de assuntos como censura (imposta pelas autoridades e também por “cidadãos de bem”), alienação, totalitarismo e a importância da arte.

Esses temas são muito relevantes nos dias atuais e, por isso, uma nova adaptação é mais que justificada (Fahrenheit 451 já tinha sido levado às telonas por François Truffaut em 1966). Mas o filme não convence.

Michael Shannon, como Beatty, e Michael B. Jordan, no papel de Guy Montag.

Talvez por ser um filme curto (cerca de uma hora e 40 minutos de duração), as situações são apresentadas de forma rápida e superficial.

O desempenho dos atores também não ajuda: Michael B. Jordan e Sofia Boutella (que interpreta Clarisse) atuam no piloto automático, sem comprometer, mas sem brilhar. Apenas Michael Shannon, no papel de Beatty, o líder dos bombeiros, se destaca – e ele ficou com o personagem mais complexo e difícil da trama.

O diretor Rahmin Bahrani, que também escreveu o roteiro, fez algumas alterações na história original, inclusive no destino dos três personagens principais. Essas mudanças não tornam o filme melhor, e ainda prejudicam o desenvolvimento das motivações de Montag.

Sem falar que o final escolhido pelo diretor é meio… cafona.

Jordan e Sofia Boutella (que interpreta Clarisse).

Fahrenheit 451 também tem algumas qualidades. O filme tem um ótimo visual e sacadas interessantes.

Como, por exemplo, o fato de os livros serem incinerados em transmissões ao vivo, que contam com a participação online dos espectadores, numa referência óbvia às redes sociais. Ou a tentativa dos rebeldes de salvar os textos proibidos em arquivos digitais, que são contrabandeados para a nuvem. Afinal, o conteúdo dos livros é importante, independentemente do formato.

E as cenas onde o fogo devora pilhas e pilhas de livros (de Kafka a Harry Potter) são muito impactantes.

Porém, no final das contas, a nova versão de Fahrenheit 451 decepcionou: é um filme pra ver e esquecer no dia seguinte. Nem parece que é a adaptação de um livro que levanta questionamentos nos leitores há mais de 60 anos.

AVALIAÇÃO

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Imagens extraídas da internet.

3 comentários em “Crítica | Fahrenheit 451 (2018)

  1. Oi Lucas!
    Me senti muito desinformada agora pq não estava sabendo da existência desse filme!
    Mesmo confiando na sua opinião, fiquei com vontade de assistir. Pelo menos já vou com poucas expectativas, assim não me decepciono. 🙂
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Michelly!

      Pelo trailer, eu achei que seria um filmaço, até porque eu gosto muito desse livro, mas levei uma ducha de água fria…

      Mas assista sim, e depois você me fala o que achou!

      Curtir

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