Resenha | A criatura, de Andrew Pyper

E se Frankenstein, O médico e o monstro e Drácula tivessem sido inspirados por um ser real, que caminha pela Terra há duzentos anos e está vivo até os dias de hoje? O escritor canadense Andrew Pyper trabalha com essa ideia em seu romance mais recente, A criatura.

O ataque de um monstro

O livro é protagonizado pela psiquiatra Lily Dominick, que atua num sanatório atendendo criminosos com transtornos mentais. Ela leva uma vida sem muitas emoções, até que um novo paciente frio e violento chega ao local. O homem parece saber muito sobre a vida dela e afirma ter informações sobre o assassinato de sua mãe.

Quando tinha seis anos, Lily viu a mãe ser morta violentamente no chalé onde elas viviam. A polícia concluiu que foi um ataque de urso, mas ela sempre soube que foi… um monstro.

“Ela pensa nele dessa maneira, como um monstro, porque ela sabe que não era um urso. Porque ursos não batem antes de entrar. Porque a diferença entre animais e pessoas é que animais não cometem assassinatos, eles caçam.

Porque ela o viu.”

O homem — que passa a se identificar como Michael — foge do centro psiquiátrico, mas continua mantendo contato com Lily. Ele faz diversas revelações sobre seu passado que viram a cabeça dela de cabeça para baixo. Mesmo sabendo o quanto ele pode ser perigoso, Lily precisa descobrir se o que Michael diz é verdade: será que ele realmente conheceu sua mãe? Será que ele não é totalmente humano? Será possível que ele tenha convivido com Mary Shelley, Robert Louis Stevenson e Bram Stoker?

O escritor canadense Andrew Pyper.

Altos e baixos

Apesar dessa premissa interessante, achei A criatura um livro com altos e baixos. Andrew Pyper consegue manter o suspense elevado em vários momentos e insere diversos plot twists na trama, mas algumas situações são bem previsíveis. Os personagens não fogem muito dos clichês: a moça frágil, solitária e entediada que descobre uma grande força dentro de si; o antagonista misterioso e atraente; o personagem com o rosto feio, mas com o coração bom. As conversas que a protagonista tem com sua “voz interior” também não ajudam muito.

A segunda parte do livro, que dialoga mais diretamente com os clássicos de Shelley, Stevenson e Stoker, é a minha preferida e deve interessar quem gosta das obras desses autores. Mas não espere uma leitura muito profunda.

Comprando “A criatura” pelo site da DarkSide, você ganha esses três cards exclusivos.

Uma edição de cair o queixo

A criatura é um bom livro para entretenimento rápido: ele é movimentado, tem reviravoltas e até consegue prender o leitor até o final. Mas não é nada inesquecível.

Por outro lado, a edição da DarkSide é de cair o queixo. A capa tem detalhes em relevo e simula um livro bastante antigo, como a Caveira já tinha feito nos outros títulos do Pyper que ela lançou por aqui: O demonologista e Os condenados. Além de serem vendidos separadamente, os três livros do autor foram reunidos e podem ser comprados juntos no Box Trindade.


Avaliação: 3.5 de 5.

A CRIATURA
Autor:
Andrew Pyper
Tradução: Cláudia Guimarães
Editora: DarkSide Books
Páginas: 304
Onde comprar: Amazon | DarkSide Books

*Livro recebido através da parceria com a DarkSide Books.


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

Um comentário em “Resenha | A criatura, de Andrew Pyper

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