Resenha | Pete Townshend – A autobiografia, de Pete Towshends

Capa-Pete-Townshend-A-autobiografiaPete Townshend – A autobiografia
Autor: Pete Townshend
Tradução: Cid Knipel Moreira
Editora: Globo Livros
Páginas: 488
Compre pela Amazon: amzn.to/2ESrn9p

Pete Townshend, o guitarrista e principal compositor do The Who, é um dos nomes mais importantes da história do rock. Ele compôs verdadeiros hinos e foi o primeiro músico a incluir a destruição de seu instrumento em sua performance. Sua banda tocou em Woodstock, gravou a primeira ópera-rock de sucesso mundial e, entre os grupos da “invasão britânica” da década de 1960, só perde em importância para os Beatles e os Rolling Stones. A autobiografia de um cara desses deveria ser imperdível, né? Pois é…

Não é ruim, mas poderia ter sido melhor

Eu não diria que Pete Townshend – A autobiografia é um livro totalmente ruim, ou totalmente decepcionante, mas fica a certeza de que ele poderia ter sido muito melhor.

O começo, que narra o período pré-fama e costuma ser maçante em muitas biografias de artistas, é bom. Townshend descreve sua infância de forma bem honesta e sincera: a relação complicada com os pais (que não ligavam muito pra ele e, mesmo sendo músicos, foram incapazes de perceber e estimular o talento do filho); o período em que viveu com a avó (no qual ele acredita ter sido abusado sexualmente); a baixa autoestima por ser uma criança feia e tímida…

Pete Townshend foi um adolescente muito inseguro e o relato desse período chega a ser tragicômico. Mas foi ainda na época da escola que ele conheceu John Entwiste e Roger Daltrey (futuros baixista e vocalista do The Who, respectivamente). A forma como Daltrey convidou Pete a entrar para a sua banda com dez segundos de conversa – logo depois de ter dispensado uma garota que não aceitava ter que dividí-lo com o rock and roll – é hilária.

Contracapa do livro, com um trecho sobre o show do The Who em Woodstock.

The Who: o fardo de Pete Towshend

Mas é a parte dedicada ao The Who que é a mais decepcionante. Sim, as passagens mais marcantes da carreira da banda estão lá (a identificação com o movimento Mod, os principais shows, o processo de composição e gravação de discos como Tommy e Quadrophenia), porém tudo parece ser narrado de forma muito rasa e rápida.

Townshend fala muito pouco sobre a relação com os outros integrantes (além de Entwistle e Daltrey, o The Who contava com o genial e amalucado Keith Moon na bateria). Na maior parte do tempo, o guitarrista parece tratar a banda como uma espécie de fardo, do qual ele não consegue se livrar.

Eu sei que se trata de uma biografia de Pete Towshend, mas nós não estamos falando de uma bandinha qualquer. É o The Who!

Caderno de fotos que faz parte do livro.

Será que a culpa é do editor?

O guitarrista dedica páginas intermináveis às inúmeras casas e barcos que comprou, aos estúdios que construiu, a relacionamentos amorosos que não deram em nada… Ele escreve bastante sobre seu trabalho solo e fica a impressão que ele não considera o The Who como o ponto alto de sua carreira (discordando assim de 99,9% de fãs e críticos), mas apenas uma etapa a mais de sua longa e prolífica vida musical.

Eu sou muito fã do The Who, Tommy é um dos meus discos preferidos, penso que John Entwistle é o melhor baixista que já integrou uma banda de rock e acho que Pete Townshend é um gênio. Mesmo assim, a leitura desse livro foi extremamente arrastada e levou meses… Acredito que se eu não fosse tão fã do cara, teria abandonado a leitura sem remorso algum.

Ainda assim, a honestidade de Townshend comove em alguns momentos. Além da questão do abuso sexual e da relação difícil com os pais, ele escreve sobre seus problemas com drogas, sobre como ser um workaholic prejudicou seu casamento e também sobre a acusação de pedofilia que ele enfrentou (e da qual foi inocentado) no começo dos anos 2000.

Ouça Tommy

O guitarrista é muito bom com as palavras – ele chegou a trabalhar na prestigiosa editora Faber & Faber – mas essa autobiografia não é o livro que eu esperava dele. Talvez seja apenas uma questão de foco narrativo. Talvez eu precise aceitar a verdadeira opinião dele sobre o The Who. Talvez a culpa seja toda do editor inglês, que cortou cerca de 500 páginas do original que Pete Townshend entregou a ele…

Pronto, o fã aqui já está defendendo o cara.

Se você quer conhecer, ou ainda está conhecendo o The Who, não leia esse livro ainda. Se quer saber por que Pete Townshend é um gênio, ouça os discos Tommy e Who’s next (embora Pete não goste muito deste último (!)). Escute qualquer coletânea e conheça os singles da banda. Procure na internet o show histórico da banda no último Rock in Rio. Assista abaixo o vídeo de My generation.

Ok, Pete. Você ficou devendo com o livro, mas tem muito crédito na praça.

AVALIAÇÃO

3-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan

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