Resenha | The Beatles – Todas as músicas, todas as letras, todas as histórias, de Steve Turner

the-beatles-capaThe Beatles – Todas as músicas, todas as letras, todas as histórias
Autor: Steve Turner
Tradução: Jaime Biaggio
Editora: Sextante
Páginas: 352
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 Será que ainda existe alguma obra que seja capaz de trazer novidades sobre os Beatles? Para a nossa alegria, sim, existe! E é pra saciar nossa curiosidade, e aumentar nosso conhecimento sobre a banda de rock mais influente da história, que o inglês Steve Turner escreveu The Beatles – Todas as músicas, todas as letras, todas as histórias, lançado no Brasil em outubro do ano passado pela Sextante.

A inspiração do quarteto de Liverpool

O livro é uma versão ampliada de The Beatles – A história por trás de todas as canções, publicado em 2009 pela extinta Cosac Naify. Através de um dedicado trabalho de pesquisa, e se baseando em depoimentos e entrevistas de John, Paul, George e Ringo, Steve Turner conta qual foi a inspiração para cada uma das músicas compostas e gravadas pelos Beatles, lançadas entre os álbuns Please please me (de 1962) e Anthology 3 (de 1996).

Além da diagramação diferente (a edição da Sextante tem capa dura e tamanho grande), o novo volume apresenta as letras de todas as canções originais do quarteto de Liverpool.

É curioso perceber como, durante toda a carreira, os Beatles se inspiraram deliberadamente em seus ídolos. Muitas músicas foram compostas literalmente imitando o estilo de Chuck Berry, dos Everly Brothers, de Ray Charles ou dos artistas da Motown. Mas a banda tinha uma personalidade musical tão forte que, mesmo com tantos elementos emprestados de outros artistas, ela conseguia soar original.

Lendo o livro percebemos como John Lennon e Paul McCartney tinham uma visão analítica sobre o processo de composição. Ainda no começo da beatlemania eles perceberam que seus primeiros sucessos eram cantados em primeira pessoa e direcionados para uma garota (From me to you I wanna hold your hand, por exemplo). Pra fugir da mesmice, eles escreveram She loves you e mudaram o ponto de vista: um rapaz, na posição de observador, falando sobre uma garota para outro cara.

Também é engraçado notar como algumas músicas que a gente adora foram compostas rapidamente apenas para completar os álbuns (como Wait, por exemplo), enquanto outras eram desprezadas por alguns integrantes da banda (Lennon considerava Birthday “uma porcaria”).

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A edição anterior, da Cosac Naify, e o escritor Steve Turner.

Histórias incríveis

Algumas histórias presentes no livro são manjadas, como o fato de Paul ter sonhado a melodia de Yesterday. Outras fazem boatos famosos caírem por terra, como a explicação de que a psicodélica Lucy in the sky with diamonds não foi inspirada pelo LSD, mas sim por um desenho de Julian Lennon, filho de John.

Um dos relatos mais impressionantes diz respeito a She’s leaving home. Paul a compôs depois de ler superficialmente no jornal a história de Melanie Coe, uma jovem que tinha fugido de casa. Para descrever a garota fugitiva na letra da música, ele usou a criatividade e imaginou como seria a relação dela com os pais e como teria se dado a fuga. Anos depois, quando a identidade da “musa inspiradora” da música foi descoberta, Melanie revelou que muitas das invenções de Paul McCartney na letra eram praticamente idênticas aos acontecimentos da sua vida real. Se não bastasse essa coincidência, Melanie contou que tinha conhecido os Beatles num programa de TV, três anos antes da música ser lançada.

Outra história curiosa é sobre Savoy Truffle. A música foi escrita por George Harrison para sacanear o amigo Eric Clapton, que era um chocólatra compulsivo. Falando nisso, minha única queixa em relação ao livro é que Steve Turner parece tratar com menos atenção as composições de George. Com exceção de Something, as músicas compostas pelo guitarrista são apresentadas em textos curtos e superficiais.

Se serviu de inspiração, está no livro

Mas isso não tira os méritos do livro. Tudo o que instigou a criatividade dos Beatles está presente na obra: o rock, as celebridades, os amores, as brigas, as traições, as drogas, os filmes, as questões existenciais… O volume ainda traz o contexto em que cada álbum foi gravado, uma cronologia da banda e a data de lançamento das músicas, assim como suas posições nas paradas.

Talvez The Beatles – Todas as músicas, todas as letras, todas as histórias só não seja tão atraente para quem já possua A história por trás de todas as canções, pois o conteúdo textual é praticamente o mesmo. Mas para colecionadores, e para os fãs dos Beatles que não têm a edição da Cosac Naify, o livro é obrigatório.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

Imagens extraídas da internet.

 

 

4 comentários em “Resenha | The Beatles – Todas as músicas, todas as letras, todas as histórias, de Steve Turner

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