Resenha | Macbeth, de William Shakespeare

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Autor:
William Shakespeare
Tradução:
Beatriz Viégas-Faria
Editora:
L&PM
Páginas:
128
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Não é fácil resenhar uma obra como Macbeth. Eu poderia dizer que a peça de William Shakespeare é uma das maiores obras da literatura mundial, e que sua visão sobre a ambição, a cobiça e a culpa torna sua leitura obrigatória. Mas o leitor do blog, ao seguir minha opinião, pode acabar se decepcionando ao se deparar com uma obra que não é de fácil leitura – apesar da excelente tradução de Beatriz Viégas-Faria. Para encorajar esse leitor, eu faço uma comparação meio exagerada: Macbeth é o Game Of Thrones de William Shakespeare. Calma que eu explico.

Mas antes, vamos à trama, que é bem conhecida: Macbeth é um general do exército escocês, a serviço do Rei Duncan. Um dia, após uma batalha, Macbeth, acompanhado de outro general, Banquo, encontra três bruxas, que profetizam que ele está destinado a ser rei, assim como os filhos de Banquo. A cobiça pelo poder mexe com o protagonista, mas ele sabe que a única forma de subir ao trono seria assassinando Duncan.

Macbeth hesita, pelo menos até contar o ocorrido à esposa, a ardilosa Lady Macbeth. Com palavras venenosas e persuasivas, ela convence o marido a agir, e, ele mata Duncan a facadas enquanto o rei dormia (detalhe: o soberano era seu primo e estava hospedado em sua casa).

Macbeth e a esposa conseguem incriminar os guardas de Duncan, e o assassino se torna rei. A partir de então, Macbeth passa a ver antigos aliados, como Banquo e o filho deste, Fleance, como ameaças, e entra numa espiral de loucura e violência que trará consequências trágicas para o seu reinado.

Shakespeare
William Shakespeare

Ok, e você deve estar se perguntando onde Game Of Thrones e As crônicas de gelo e fogo entram…

Pra começar, a história de Macbeth é medieval, com castelos, batalha de espadas e etc. Apesar de se passar num universo imaginário, o mundo criado por George R. R. Martin tem a Idade Média como inspiração. Outra coisa: Macbeth não tem dragões nem White Walkers, mas apresenta bruxas, aparições e fantasmas.

Vários personagens das duas obras são ambiciosos e não medem esforços para chegar ao poder, ignorando a ética, a honra e, muitas vezes, abusando da violência. Aliás, a peça Macbeth é violentíssima: vários personagens, inclusive crianças, são mortos de forma brutal. O assassinato do hóspede Duncan, remete a um certo Casamento Vermelho

Pra completar, é difícil dizer qual personagem feminina é mais manipuladora: Lady Macbeth ou Cersei Lannister. Se elas habitassem o mesmo universo, dificilmente seriam amigas…

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Lady Macbeth (interpretada por Marion Cotillard) e Cersei Lannister (papel de Lena Headey).

Enfim, uma dica para o leitor jovem: faça um esforço e pelo menos tente ler Macbeth. A obra existe há mais de 400 anos (não se sabe a data exata de quando ela foi escrita, mas provavelmente foi na primeira década do século XVII) e continua relevante até os dias de hoje. Se você superar a linguagem rebuscada do texto, vai se deparar com pérolas como esta, que é um dos trechos mais famosos de toda a literatura:

A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco – faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado.

Se não tiver jeito, você pode apelar para as adaptações cinematográficas. A mais recente, Macbeth: ambição e guerra, saiu em 2015 e tem como protagonistas astros como Michael Fassbender e Marion Cotillard. Confira o trailer, mas não é a mesma coisa:

O único contra desta edição da L&PM é a ausência de notas explicativas. Elas estão presentes em outros volumes de Shakespeare lançados pela editora (com tradução de Millôr Fernandes e da própria Beatriz Viégas-Faria). A ausência delas não compromete, mas as notas seriam um complemento muito útil para o livro.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

Imagens extraídas da internet.

 

6 comentários em “Resenha | Macbeth, de William Shakespeare

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