Resenha: ‘O Bebê de Rosemary’, de Ira Levin

Ótimo livro que inspirou filme de Roman Polanski sai em nova edição

Quando se fala em “O Bebê de Rosemary”, a maioria das pessoas pensa no filme de Roman Polanski, lançado em 1968. Isso é compreensível, já que se trata de uma obra-prima do cinema de terror. Mas é um pecado que o sucesso do filme tenha eclipsado o romance de Ira Levin no qual ele se baseia. Publicado um ano antes, o livro foi um best seller e é excelente.

Não vou dar spoilers nesta resenha, mesmo sabendo que a grande revelação da trama — por que a gravidez de Rosemary desperta tanto interesse — é bastante conhecida. Mas garanto que o texto de Levin vai causar tensão até em quem já sabe o desfecho.

Se você nem desconfia qual é o segredo, melhor ainda: tenho certeza de que vai terminar a leitura com o queixo caído.

Capa do livro "O Bebê de Rosemary".
Capa de ‘O Bebê de Rosemary’. (Reprodução)

Rosemary é uma jovem que se muda com o marido, Guy, para um apartamento espaçoso no tradicional edifício Bramford, em Nova York. Correm boatos de que o prédio já foi moradia de assassinos e ocultistas, mas eles não levam essas histórias a sério.

Os novos moradores logo fazem amizade com os vizinhos Roman e Minnie Castevet, um casal de velhinhos tagarelas e um tanto intrometidos. Quando Rosemary realiza o sonho de engravidar, a intromissão dos idosos na vida da moça se intensifica, levando-a a acreditar que algo estranho possa estar acontecendo.

O que é realidade? O que é paranoia ou apenas preocupação de uma mãe de primeira viagem?

O escritor americano Ira Levin (1929-2007). (Reprodução)

Uma história criativa e corajosa

Ira Levin conduz o leitor com maestria. O autor constrói o suspense aos poucos, embora vá deixando várias pistas (algumas mais explícitas, outras menos) ao longo do livro. Os acontecimentos vividos por Rosemary têm a forma e o conteúdo de um pesadelo. Não por acaso, sonhos ruins são parte importante da trama.

Além do terror que vivencia, a personagem central é assombrada pela falta de controle sobre a própria gravidez. Os Castevet dizem o que ela vai comer, beber e até com qual médico ela deve se consultar. Quando sua saúde piora, o doutor fala que isso é normal durante a gestação. Nem mesmo a concepção acontece da maneira que ela sonhou, longe disso. Rosemary é mais uma mulher que é impedida de ser dona do próprio corpo.

Imagino o impacto que “O Bebê de Rosemary” teve em 1967. É uma história assombrosa, criativa, original e corajosa. Espero que com essa edição da DarkSide ela conquiste uma nova geração de leitores.


Avaliação: 5 de 5.

O BEBÊ DE ROSEMARY
Autor:
Ira Levin
Tradução: Luci Collin
Editora: DarkSide Books
Preço: R$ 64,90 (240 págs.)
Onde comprar: Amazon | DarkSide Books

*Livro recebido através da parceria com a editora.


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