Resenha | ‘Meu Nome é Selma’: a impressionante autobiografia de uma heroína que sobreviveu ao nazismo

Sempre que lemos ou escutamos falar sobre a ocupação nazista na Holanda, o nome de Anne Frank é o primeiro que nos vem à cabeça. Afinal, a adolescente — que morreu aos 15 anos no campo de concentração Bergen-Belsen, em 1945 — legou ao mundo um diário que se tornou um dos livros mais lidos de todos os tempos. Na autobiografia Meu Nome é Selma, conhecemos a história de outra jovem judia que sentiu na pele os horrores do nazismo: Selma Van de Perre. Apesar de todo o sofrimento, seu relato tem um final feliz.

Com cerca de 20 anos, Selma foi obrigada a se separar da família durante a ocupação e precisou assumir outra identidade para fingir que não era judia. Com os cabelos tingidos de loiro, ela passou a atender pelo nome de Margaret van der Kuit e se engajou na Resistência, na qual atuou como mensageira.

Quando sua relação com os rebeldes foi descoberta, Selma foi presa e enviada para o campo de concentração de Ravensbrück, onde sobreviveu aos maus tratos, à fome, ao frio, às infecções intestinais e ao tifo (a mesma doença que causou a morte de Anne Frank).

Capa do livro "Meu Nome é Selma".

Não quero dar mais detalhes pra não estragar a leitura de ninguém, mas a história de Selma é impressionante, ainda que obviamente dolorosa. Chama a atenção a sua postura estóica e, usando uma palavra da moda, resiliente. Independentemente do que ocorria nos campos de batalha da Segunda Guerra, ela precisava sobreviver a um dia de cada vez. Pra isso, contou com a inteligência, com a ajuda de amigos e familiares e, muitas vezes, com a sorte.

O relato da autora é direto e não omite nenhuma passagem mais triste. Logo na primeira página do primeiro capítulo ela conta que o nazismo matou “meu pai, minha mãe e Clara [a irmã caçula]; minha avó; tia Sara, seu marido Arie e seus dois filhos; e tantos outros membros da família.”

Além de ser um ótimo livro, Meu Nome é Selma é uma leitura muito importante nos dias de hoje, quando os horrores do nazismo são minimizados por tantas pessoas, por ignorância ou má fé.

PS: Selma Van de Perre está viva e lúcida. No dia em que posto essa resenha, 7 de junho de 2022, ela comemora 100 anos de idade.


MEU NOME É SELMA
Autora:
Selma Van de Perre
Tradução: Jacqueline Damásio Valpassos
Editora: Seoman
Páginas: 260
Onde comprar: Amazon | Grupo Editorial Pensamento

Livro recebido através da parceria com a editora.


Lucas Furlan é formado em Rádio e TV e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um apaixonado por livros.

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