Resenha | Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar, de Ricardo Alexandre

O jornalista Ricardo Alexandre acompanhou de perto — bem de perto — a efervescente cena do rock nacional da década de 1990. Em Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar ele combina relatos de sua experiência pessoal nesse período com análises sobre os acertos e erros daquela geração.

O livro vai de 1993 a 2008. Os textos referentes aos primeiros anos transmitem toda a empolgação da época. Afinal, havia um cenário forte de rock independente e genuinamente brasileiro, com festivais, casas de shows, fanzines, suplementos de jornal voltados para o público jovem (Zap!, Folhateen), revistas de música como a Bizz e a General, MTV Brasil bombando e, é claro, ótimas bandas. As principais estão no livro, das mais bem-sucedidas (Skank, Raimundos, Chico Science & Nação Zumbi), até as que ficaram pelo caminho (Little Quail and The Mad Birds, Professor Antena, Graforréia Xilarmônica).

Mas o tempo passa e Ricardo Alexandre também coloca no papel o desencanto com os anos seguintes. O mercado fonográfico do Brasil se torna gigante, porém com números inflados e pouco transparentes. O departamento de marketing das gravadoras passa a ser mais importante que o artístico. O jabá come solto nas rádios. A MTV e a Bizz chegam ao fim. Bandas boas terminam. Bandas irrelevantes surgem.

O autor Ricardo Alexandre e uma Bizz editada por ele. Na capa, uma das figuras mais importantes do rock nacional: o músico, produtor e jornalista Carlos Eduardo Miranda (1962-2018).

Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar é obrigatório pra você que se interessa por rock nacional e jornalismo musical. Os textos, publicados originalmente no antigo blog do autor no portal MSN, são curtos e de leitura rápida — o que não significa que sejam superficiais, longe disso. A apresentação é de André Forastieri, autor de O dia em que o rock morreu, que eu resenhei há algumas semanas e que também foi publicado pela Arquipélago.

O livro nos transporta para uma época em que a relação das pessoas com a música, não só com o rock, era diferente. Mais do que isso, o mundo era diferente. Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar não esconde sua nostalgia, mas olha para o futuro, afinal é preciso seguir em frente. Mas que dá saudade daquela época, isso dá.


CHEGUEI BEM A TEMPO DE VER O PALCO DESABAR
Autor:
Ricardo Alexandre
Editora: Arquipélago Editorial
Páginas: 256
Onde comprar: Amazon


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

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