Resenha | Os mitos de Cthulhu, de Esteban Maroto

Com dez anos de existência, o Pipoca & Nanquim é um dos principais canais sobre quadrinhos e cultura pop do Brasil. Mas, além do sucesso no YouTube, o PN também vem se tornando referência em outro segmento: o editorial. Em 2017, o Pipoca & Nanquim se transformou numa editora, com um catálogo de qualidade que cresce mês a mês e um capricho impressionante em cada publicação.

Os mitos de Cthulhu saiu por aqui em junho deste ano e foi a primeira HQ publicada por eles que eu comprei. O livro reúne três adaptações em quadrinhos de histórias de H. P. Lovecraft, com arte e texto do espanhol Esteban Maroto (autor do clássico da ficção científica Cinco por infinito).

O desenhista espanhol Esteban Maroto (à esquerda) e o escritor norte-americano H. P. Lovecraft (1890-1937).

Histórico de publicação cheio de percalços

Pela qualidade da obra, mal dá pra acreditar que Os mitos de Cthulhu tenha encarado tantos percalços desde que saiu pela primeira vez, no começo da década de 1980, na Espanha. O livro passou por coleções canceladas e editoras falidas, os desenhos originais foram perdidos, houve problemas de distribuição, e ainda foi lançada uma tradução nos Estados Unidos sem o aval do autor… Foi só em 2016 que a Editora Planeta fez uma publicação decente de Os mitos de Cthulhu, e foi essa edição que serviu de base para o volume lançado pelo Pipoca & Nanquim no Brasil.

As três histórias do livro são: A cidade sem nome (escrita por Lovecraft em 1921), O cerimonial (1923) e a célebre O chamado de Cthulhu (de 1926, que foi rebatizada na adaptação como Os mitos de Cthulhu). Todas são ótimas amostras do terror cósmico criado Lovecraft: seus personagens se deparam com portais para outros mundos e dimensões, e descobrem a existência de criaturas inimagináveis e mais antigas do que a raça humana.

Esses monstros são cultuados como Deuses por pequenos grupos ao redor do mundo e são capazes de levar à loucura ou à morte quem se atreve a olhar pra eles. Além do aspecto horripilante dessas criaturas, os personagens de Lovecraft ficam atormentados ao descobrir a existência de mistérios inalcançáveis aos homens e ao tomar consciência da irrelevância da humanidade frente à imensidão do universo.

Ótima porta de entrada

Apesar da complexidade dos temas e do estilo por vezes prolixo de Lovecraft, a adaptação de Esteban Maroto é muito boa, concisa e fiel aos textos originais — com exceção da aparição de uma misteriosa mulher nua em O cerimonial. Os desenhos em preto e branco do artista espanhol também são fantásticos e apresentam uma visão bem particular dos monstros lovecraftianos.

Além das três histórias, Os mitos de Cthulhu apresenta também textos adicionais, notas e biografias dos autores. O livro é muito bom, sendo uma ótima porta de entrada para quem quer conhecer a obra de H. P. Lovecraft, a arte de Esteban Maroto e o trabalho editorial do Pipoca & Nanquim.

OS MITOS DE CTHULHU
Autor: Esteban Maroto
Tradução: Denise Schittine
Editora: Pipoca & Nanquim
Páginas: 92
Onde comprar: Amazon


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

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