Resenha | Três contos, de Gustave Flaubert

Três-contos---FlaubertTRÊS CONTOS
Autor:
Gustave Flaubert
Tradução:
Milton Hatoum e Samuel Titan Jr.
Editora:
34
Páginas:
144
Avaliação: 5-estrelas-otimo
/ Ótimo
Onde comprar:
Amazon

As narrativas reunidas em Três contos foram escritas com tanta maestria, que é difícil acreditar que Gustave Flaubert estava passando por uma crise quando as criou. O escritor, principal nome do Realismo francês e autor de obras como Madame Bovary (1857), enfrentava sérios problemas financeiros e não conseguia finalizar o romance Bouvard e Pécuchet de jeito nenhum. Mas em 1877, quando Três contos foi publicado, o próprio Flaubert teve certeza de que tinha recuperado a boa forma.

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O escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880).

Os contos

Os contos são: Um coração simples, A legenda de São Julião Hospitaleiro e Herodíade.

O primeiro tem como protagonista a criada Félicité. O conto narra os cinquenta anos que ela trabalhou para a família da sra. Aubain, levando uma vida marcada por muita abnegação, diversas perdas pessoais e uma grande alegria: a chegada do papagaio Lulu. Com um fio de história, Flaubert criou uma pequena obra-prima, jogando luz sobre uma personagem que, normalmente, não receberia tanta atenção. Um coração simples inspirou Julian Barnes a escrever O papagaio de Flaubert e é o meu conto preferido dos três.

Na sequência vem a hagiografia de São Julião Hospitaleiro. Inspirado pelo vitral de uma igreja de Rouen, sua cidade natal, Flaubert conta como Julião alcançou a salvação divina depois de levar uma vida violenta, repleta de crueldade com animais e marcada por uma grande tragédia. Esse conto apresenta elementos fantásticos, milagrosos e até animais falantes.

Herodíade, a narrativa que encerra o livro, descreve os “bastidores” do governo de Herodes Antipas na Galiléia, e os acontecimentos que culminaram na decapitação de São João Batista. Em poucas páginas, Flaubert expõe as intrincadas disputas por poder e os conflitos que envolviam os diferentes povos que viviam na região na época de Cristo. O protagonista é Herodes, embora o conto leve o nome de sua esposa — que é uma figura importantíssima na trama. Herodíade é muito bom, mas pode ser um pouco confuso pra quem não é familiarizado com a Bíblia ou com a divisão geopolítica do Império Romano.

Capa da edição de “Três contos” da extinta Cosac Naify; a edição da Editora 34 conta com a mesma tradução, que ficou a cargo de Milton Hatoum e Samuel Titan Jr.

Além de qualquer dogma religioso

Embora a religião e a fé ocupem um papel central em todo o livro, Flaubert não escreveu os contos com a intenção de converter ou catequizar seus leitores. A caridade, a humildade e a esperança ganham mais destaque do que qualquer dogma. Por isso, mesmo quem não se interessa por religião, pode desfrutar da leitura.

Essa edição da Editora 34 vem em ótima hora, pois recoloca no mercado a excelente tradução de Milton Hatoum e Samuel Titan Jr., que tinha sido publicada anteriormente pela extinta Cosac Naify. Esse é um atrativo a mais para conhecer essa obra-prima de Gustave Flaubert.

3 comentários em “Resenha | Três contos, de Gustave Flaubert

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