Resenha | Max e os felinos, de Moacyr Scliar

Max e os felinos
Autor: Moacyr Scliar
Editora: L&PM
Páginas: 150
Onde comprar: Amazon

Se estivesse vivo, Moacyr Scliar completaria hoje, 23 de março, 81 anos de idade. Para lembrar a data de nascimento do escritor gaúcho, a resenha desta sexta é sobre um de seus livros mais conhecidos: Max e os felinos, de 1981. Quase 20 anos depois de ter sido publicada, a novela ficou conhecida internacionalmente: ela foi plagiada pelo escritor canadense Yann Martell em seu premiado livro As aventuras de Pi – sim, aquele mesmo que foi adaptado e se tornou um grande sucesso do cinema.

O livro de Moacyr Scliar narra a vida do personagem Max Schimdt desde a sua infância. Nascido na Alemanha em 1912, ele presencia a ascensão do nazismo e, por conta de uma amizade e de um caso amoroso, ele passa a ser perseguido pelo regime de Adolf Hitler. Max decide fugir e embarca num navio com destino para o Brasil. Depois de sobreviver a um naufrágio criminoso, ele se estabelece no Rio Grande do Sul.

Mas não é tão fácil pra ele se livrar das feras que o assustaram a vida toda.

Max é um personagem cheio de medos e traumas, e Moacyr Scliar faz com que as passagens mais difíceis da vida dele sejam marcadas pela presença de um felino. O livro é dividido em três partes: O tigre sobre o armário, O jaguar no escaler e A onça no morro. A segunda parte é a que apresenta a passagem mais conhecida de Max e os felinos, justamente a que foi plagiada por Martell.

Nela, é narrada a forma como Max se salva depois que o navio que o trazia ao Brasil naufraga: o jovem embarca num pequeno escaler e, ao tentar recuperar uma caixa que boiava ao seu lado, ele acaba libertando um jaguar que estava dentro dela (o navio transportava animais, sem que ele soubesse). O perigoso felino salta para dentro do pequeno barco e se torna o companheiro de Max em alto-mar.

Todo mundo que já leu ou assistiu a adaptação de As aventuras de Pi já percebeu o plágio, né? Mas no romance de Martel (e no filme dirigido por Ang Lee) é um tigre que navega junto com o protagonista. Além disso, em Max e os felinos essa situação é narrada apenas em algumas páginas, enquanto em As aventuras de Pi ela ocupa praticamente todo o romance.

Apesar dessas e de outras diferenças, a cópia é evidente.

O plágio se tornou notícia no mundo literário em 2002, quando o recém-lançado livro de Martel foi premiado com o prestigioso Man Booker Prize. Diante da polêmica que se seguiu, o autor canadense deu algumas desculpas esfarrapadas e disse que se inspirou depois de ler uma resenha sobre Max e os felinos publicada no New York Times. Moacyr Scliar, devidamente reconhecido como autor daquela ideia fantástica, não quis encarar um longo processo judicial, e a questão terminou ali.

O escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011). (Reprodução)

Apesar de tratar de temas como o medo e o nazismo, o livro de Scliar é muito gostoso de ler. Max e os felinos é curto e a história tem cerca de 90 páginas (essa edição em capa dura da L&PM tem textos complementares, incluindo um no qual o autor explica a polêmica com Yann Martel).

Além do brilhante uso dos felinos como personificação do perigo que ameaça Max, Moacyr Scliar deixa algumas dúvidas na cabeça do leitor: será que o protagonista, um personagem tão traumatizado (e, por vezes, paranoico) viveu de verdade tudo que é narrado no livro? Será que tantas coincidências seriam possíveis? No contexto da obra, gosto de acreditar que sim. Leitura recomendada!

Você já leu Max e os felinos? E As aventuras de Pi? O que achou dos livros? Conte pra mim nos comentários!

AVALIAÇÃO

4-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan.

 

Um comentário em “Resenha | Max e os felinos, de Moacyr Scliar

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