Resenha | A culpa é das estrelas, de John Green

A culpa é das estrelas
Autor: John Green
Tradução: Renata Pettengill
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
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A esta altura do campeonato, pode parecer desnecessário escrever sobre A culpa é das estrelas; o livro do norte-americano John Green se tornou um fenômeno em todo o mundo assim que foi lançado, em 2012, e a febre só aumentou com a adaptação cinematográfica que estreou em 2014. Aqui no Brasil, o romance liderou por meses as listas de mais vendidos. Agora, será que a poeira baixou? Parece que não: uma rápida olhada no Skoob mostra que mais de 75 mil pessoas marcaram A culpa é das estrelas como “Quero ler”. Por isso, a resenha de hoje é voltada para aqueles que ainda não conhecem a história de Hazel Grace e Gus – principalmente aqueles que não leram por puro preconceito.

Hazel Grace

Preciso confessar que eu mesmo fiquei meio ressabiado antes de iniciar a leitura. Comprei o livro assim que o burburinho sobre ele começou, mas só li algum tempo depois, quando a “John Green Mania” já tinha se espalhado pelo mundo. Não conhecia nenhum trabalho anterior do escritor e não sabia o que esperar – quer dizer, imaginava que sabia, mas fui surpreendido positivamente.

Sim, A culpa é das estrelas é um romance com personagens adolescentes que se apaixonam e vivem uma história cheia de amor e lágrimas. Mas não é correto resumir o livro apenas dessa maneira.

A protagonista da obra é Hazel Grace, uma jovem de 16 anos que foi diagnosticada com câncer na tireoide, que logo se espalhou para os pulmões. Hazel é obrigada pela mãe a participar de um grupo de apoio, e lá ela conhece Gus, um rapaz charmoso e descolado que passou por um tratamento para combater um tumor ósseo na perna. Assim se forma o casal que encantou milhões de pessoas pelo mundo afora, embora Hazel não queira se envolver com ninguém por acreditar que está com os dias contados.

Uma das coisas que mais incomoda a protagonista é o fato do seu livro preferido, Uma aflição imperial (que tem como personagem principal uma garota doente), terminar do nada, bem no meio de uma frase. Sabendo disso, Gus decide entrar em contato com o autor, o recluso Peter Van Houten, para descobrir o que acontece com os personagens após o fim abrupto do livro. O problema é que Van Houten é uma pessoa bem difícil…

Basicamente, a história é essa. O grande diferencial de A culpa é das estrelas é a forma como John Green a conta.

Luzes e sombras

Hazel Grace e Gus não são personagens perfeitos de contos de fadas. Ela precisa levar um tubo de oxigênio ligado aos seus pulmões por onde quer que vá; ele ficou manco depois que precisou amputar parte da perna. Os dois são irônicos e sarcásticos, principalmente no que diz respeito à piedade das “pessoas saudáveis”.

Hazel e Gus são muito inteligentes e espirituosos. Suas conversas têm alto teor filosófico, mas nunca de um jeito maçante. Eles também são muito engraçados. O livro todo, aliás, tem passagens engraçadas. E outras, pesadas. E, sim, outras devastadoras.

Essa alternância entre luzes e sombras é um dos trunfos de A culpa é das estrelas. Os personagens aprendem lições que transformam suas vidas no decorrer da trama, mas esse processo não é forçado e nem meloso demais. Um escritor menos talentoso poderia ter errado no açúcar e estragado o livro, mas não é o caso. Palmas para John Green, que tratou com sensibilidade de um tema tão delicado.

O escritor norte-americano John Green.

Best-seller merecido

Também é preciso dizer o quanto o desfecho é inesperado. Durante a leitura, você imagina que já sabe qual será o final, mas o autor consegue surpreender.

Então, se você ainda não leu A culpa é das estrelas por má vontade, preconceito ou qualquer outro motivo, confie em mim e leia (inclusive se você já viu o filme, que é bem fiel ao texto original). Ele não foi um best-seller por acaso. Aliás, seria ótimo se todos os best-sellers tivessem a mesma qualidade dele.

AVALIAÇÃO

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Fotos: Lucas Furlan

2 comentários em “Resenha | A culpa é das estrelas, de John Green

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