Resenha | O velho e o mar, de Ernest Hemingway

Capa-O-Velho-e-o-Mar-nova-edição.jpgO velho e o mar
Autor: Ernest Hemingway
Tradução: Fernando de Castro Ferro
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 128
Compre pela Amazon: amzn.to/2sQK8Do

A resenha de hoje é sobre um dos meus livros preferidos: O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Apesar de ser curto e de ter uma sinopse simples, o livro conta uma história poderosa, capaz de fascinar os mais diferentes leitores.

O homem e o espadarte

Publicado em 1952, O velho e o mar tem como protagonista Santiago, um velho e humilde pescador cubano que está há 84 dias sem conseguir pegar um peixe sequer. Se não bastasse a falta de dinheiro causada por esse “jejum”, Santiago ainda perdeu seu ajudante e único amigo, o garoto Manolin. Seu pai, acreditando que a sorte tinha abandonado o velho, proibira o filho de ir pescar com ele.

No 85º dia, Santiago decide explorar uma área bem mais distante no mar, e sua tática dá certo: um imenso espadarte (espécie parecida com um peixe-espada) fica preso ao seu anzol. Mas o animal é tão persistente quanto o velho, e ambos entram numa luta pela sobrevivência que dura longos três dias.

Basicamente, é isso. Mas O velho e o mar está longe de ser isso.

O escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961).

Uma história inspiradora

Santiago, mesmo velho, fraco e desacreditado, tem um espírito indestrutível. Suas mãos podem ganhar novas cicatrizes e seu corpo pode fraquejar devido à fome, mas existe algo dentro dele que não permite que ele esmoreça. O pescador sabe que precisa manter o ânimo e a coragem para enfrentar seus poderosos adversários: o peixe gigantesco, o sol, o mar.

Sozinho no barco, Santiago pensa bastante sobre sua condição e conversa consigo próprio, com o espadarte e com os outros animais que encontra. Suas frases são daquelas que dá pra tatuar no corpo. Para um pássaro cansado que pousa na corda de pesca, ele diz:

Repouse bem, pequena ave (…). Depois siga viagem e arrisque-se como qualquer homem, pássaro ou peixe.

Ou ainda:

Mas o homem não foi feito para a derrota – disse em voz alta. – Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.

Falando assim, pode parecer que O velho e o mar se trata de um livro de autoajuda, mas, definitivamente, não é o caso. Apesar de inspiradora, a história não tem um desfecho 100% feliz. Mas, no fim das contas, acredito que a mensagem que fica é que as maiores vitórias não são alardeadas e podem até parecer pequenas. Às vezes, o adversário a ser vencido está dentro da gente (ok, isso sim pareceu autoajuda, mas aí a culpa é minha…).

Um livro para todos

Outro ponto que acho que deve ser destacado é a relação entre Santiago e a natureza. Ernest Hemingway (1899-1961) foi um entusiasta de atividades como caçadas e touradas, e, por isso, é surpreendente que seu protagonista tenha tanta sensibilidade com os animais. Por mais que Santiago deva matar o espadarte (sua própria sobrevivência depende disso), ele lamenta várias vezes que precise fazê-lo, chegando a chamar o peixe de “irmão”.

E se você acha que uma obra tão profunda como O velho e o mar deva ser difícil de ler, você está completamente enganado. Hemingway (ganhador do Nobel de Literatura em 1954) tem uma escrita clara e precisa, herdada do jornalismo, e, com alguma disposição, pode-se ler o livro num único dia.

A minha edição de O velho e o mar é de 2012 e eu nunca gostei do projeto gráfico dela. Mas, felizmente, a Bertrand Brasil lançou novas edições das obras de Hemingway, com novas diagramações e capas lindas. Agora sim!

No começo deste texto, escrevi que O velho e o mar pode fascinar diferentes leitores. Ele é pra você que só lê clássicos, pra você que ama ou odeia livros com temas marítimos, pra você que gosta de aventuras, pra você que procura histórias inspiradoras, e até pra você que lê apenas autoajuda. Humildemente, digo: eu não mudaria uma vírgula nele. Trata-se de um livro perfeito.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan, exceto imagem Ernest Hemingway (extraída da internet).

17 comentários em “Resenha | O velho e o mar, de Ernest Hemingway

  1. Lucas, este é um dos meus livros favoritos. Eu nunca chorei tanto com um livro como quando reli O Velho e o Mar. Concordo com você que é perfeito. Escrevi sobre ele no meu blog tb, ano passado.
    O estilo de Hemingway é demais. Sem rodeios, direto ao ponto, nada ali é supérfluo. Tenho vontade de enquadrar esse livro, de tanto amor… hehehe
    Acho que é preciso alguma maturidade para emabarcar (ops, trocadilho) na narrativa. Algumas pessoas acham sem graça… mas isso pq não são elas, no meio do mar, sem ter o que comer, velho, sem amigos, sem nada… lutando com si mesmo, com a sua própria natureza e a natureza de outros.
    Havia visto a foto no instagram e fiquei com isso na cabeça de que queria ler a resenha o qto antes, mas demorei um pco pq as ondas estão fortes por aqui! rs
    Adorei o post. Até mais!
    Val
    http://1pedranocaminho.wordpress.com

    Curtir

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