Resenha | Galveston, de Nic Pizzolato

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Autor: Nic Pizzolato
Tradução: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
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Exibida em 2014 pela HBO, a primeira temporada da série True Detective foi um dos principais destaques da televisão daquele ano. O cérebro por trás da história dos policiais Marty Hart e Rust Cohle era o escritor Nic Pizzolato, que criou, roteirizou e produziu o seriado. Quatro anos antes de True Detective, ele lançou seu primeiro romance, Galveston, que foi publicado aqui no Brasil pela Intrínseca depois do sucesso da série. Mas, infelizmente, a obra não é tão boa e nem tão complexa quanto o trabalho mais famoso do autor.

Trama pouco original

Os problemas de Galveston já começam na sinopse: a trama tem início em Nova Orleans em 1987 e seu protagonista (e narrador) é Roy Cady, um violento capanga do mafioso Stan Pitko. No mesmo dia em que descobre estar sofrendo de câncer no pulmão, Cady é enviado para realizar um serviço misterioso, que acaba se revelando uma emboscada contra a sua vida. Roy consegue escapar da armadilha e foge para a cidade de Galveston, no Texas, levando consigo a única testemunha da tentativa de assassinato contra ele: uma prostituta de 18 anos apelidada de Rocky. Nos dias seguintes, Cady precisa se afastar o máximo possível de Pitko e acaba aceitando até que uma criança se junte a eles na fuga.

Não dá pra dizer que se trata de um ponto de partida muito original, né? Poderia perfeitamente ser a trama de algum filme do Van Damme.

Gato por lebre

Entretanto, Nic Pizzolato usa um golpe baixo para segurar o leitor: na segunda parte do livro (que é dividido em 5 partes no total), a história avança 20 anos no futuro, e vemos que Cady está bem diferente do personagem apresentado no começo. É impossível não querer saber o que aconteceu com ele.

Nas páginas seguintes somos levados de volta para 1987 mas, à medida que a leitura avança, começamos a nos sentir logrados. A contracapa do livro prometia uma narrativa sobre “um cara mau”, “numa jornada (…) com a morte sempre a apenas um carro de distância”. Na verdade, o romance de Pizzolato se revela uma história sobre um bandido de bom coração fazendo de tudo para cuidar da jovem por quem ele se sente atraído. Simples assim.

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O escritor e roteirista Nic Pizzolato.

Afinal, Roy Cady é mau ou não é?

Penso que o problema está na construção do protagonista. São pouquíssimas as vezes em que Roy Cady age de acordo com sua fama de mau. Já na primeira página do livro ele conta que era chamado para determinados serviços justamente pelo fato de ser exagerado; mas seu suposto temperamento explosivo quase não se manifesta em suas ações. Numa das passagens mais bizarras, quando está furioso com Rocky, ele inicia uma discussão dizendo: “Você não devia usar rímel (…). Não sabe usar. Fica ridícula”. Que sujeito malvado, hein?

Mesmo com as idas e vindas no tempo, a trama de Galveston não tem muitas surpresas e seus personagens não conseguem fugir dos clichês. O livro não chega a ser ruim, mas não é inesquecível – apesar de ter um desfecho bem digno. A obra perde ainda mais força quando se sabe que ela saiu da cabeça do mesmo cara que criou a primeira temporada de True Detective (a segunda temporada não foi grande coisa). A série é muito mais complexa e surpreendente do que este livro, misturando temas como investigação, misticismo, drogas, violência, problemas conjugais, religião e filosofia.

Apesar de não ter me agradado tanto, Galveston ganhou alguns prêmios de literatura, como o Prix Du Premier Roman, entregue pela Academia Francesa, e o Spur Award. Segundo o site IMDb, uma adaptação do livro chega aos cinemas em 2018, com roteiro do próprio Nic Pizzolato e direção de Mélanie Laurent (a Shosanna de Bastardos Inglórios).

AVALIAÇÃO

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Imagens extraídas da internet.

 

2 comentários em “Resenha | Galveston, de Nic Pizzolato

    1. Oi, Paula!

      Fiquei sabendo dos prêmios depois de ter comprado o livro, mas essa é uma questão que não deve, necessariamente, ser levada em conta na hora de escolher uma nova leitura…

      Fazer o quê, né? Rsrsrs

      Um abraço!

      Curtido por 1 pessoa

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