Resenha | O Flautista de Manto Malhado em Hamelin, de Robert Browning

capa-livroO Flautista de Manto Malhado em Hamelin
Autor: Robert Browning
Tradutor: Alípio Correia de Franca Neto
Editora: Iluminuras
Páginas: 80
Compre pela Amazon: amzn.to/2j1O18p

Considerado um dos principais poetas ingleses, Robert Browning morreu há exatamente 127 anos, no dia 12 de dezembro de 1889. Uma de suas obras mais populares é o longo poema O Flautista de Manto Malhado em Hamelin, que recria, em 303 versos, a famosa lenda medieval alemã.

Acredito que todo mundo conheça a história, por isso não vou me preocupar com spoilers – seria como não contar o final de Branca de Neve ou de Os Três Porquinhos. Mas, de qualquer forma, segue o aviso: spoilers da trama na sequência.

A cidade portuária de Hamelin estava sofrendo uma infestação de ratos, e os políticos da cidade não sabiam como resolver o problema. Inesperadamente, aparece por lá um músico misterioso, vestindo uma capa vermelha e amarela, que promete livrar a cidade da praga. O valor do serviço é aceito pelos governantes e o homem cumpre sua promessa: tocando uma melodia mágica numa flauta, o músico hipnotiza os ratos, fazendo com que eles mergulhem no rio Weser e morram.

Apesar de ter feito sua parte, o flautista é logrado pelas autoridades, que se recusam a pagar o combinado. Para se vingar, o músico volta a tocar a sua flauta, mas, dessa vez, ele enfeitiça todas as crianças da cidade. Elas o seguem, dançando ao som de sua música, e são levadas através de uma porta mágica que se abre na montanha Koppelberg. A única criança que fica para trás é um garoto manco, que não consegue acompanhar os amigos. As outras nunca mais são vistas, para a tristeza e o remorso dos políticos. Eita…

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O poeta inglês Robert Browning

Origens da lenda

A história do Flautista de Hamelin é uma das mais famosas do folclore alemão e é conhecida em todo o mundo. O que pouca gente sabe, é que ela, muito provavelmente, foi inspirada num caso real. Como conta o posfácio escrito pelo tradutor Alípio Correia de Franca Neto, existe uma placa em Hamelin com a inscrição:

No ano de 1284, no dia de São João e São Paulo, um flautista trajando muitas cores liderou 130 crianças de Hamelin para Calvarie nas proximidades de Koppen, onde foram perdidas.

Existem diferentes teorias sobre a identidade do flautista. As mais macabras dizem que ele foi um serial killer que passou pela cidade, ou ainda que seria uma representação literária da epidemia da “Peste Negra”. Ainda há quem acredite que ele era um recrutador de jovens para lutar nas Cruzadas. Mas a hipótese mais aceita, é que se tratava de uma espécie de funcionário público, que levava pessoas para povoarem colônias no leste europeu. Com o passar dos anos, e com a disseminação oral da história, a narrativa ganhou elementos mágicos e fantásticos.

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Desenho de Carmem Thiago, ilustradora do livro

O livro

A edição da Iluminuras é bilíngue e, além do poema de Robert Browning e de sua tradução, O Flautista de Manto Malhado em Hamelin tem uma breve apresentação de Tatiana Belinsky, ilustrações em preto e branco de Carmem Thiago, cronologia da vida de Browning e o já citado posfácio do tradutor, que é um ótimo complemento ao texto. O poema apresenta algumas palavras pouco comuns no nosso cotidiano, mas é perfeitamente acessível para os adultos. Já para as crianças, que seriam o público alvo do autor, nem tanto… Mas nada impede que um adulto leia para elas, explicando as passagens mais difíceis.

Apesar de contar uma história assustadora sob alguns aspectos, lembro que, quando eu era pequeno, nunca tive medo do flautista. Em parte pelo fascínio exercido pela  figura do músico, mas também pela descrição do que o garoto manco vê, antes que a porta mágica se feche à sua frente: seus amigos estavam sendo levados para uma espécie de “Terra Prometida”, com fontes, frutas, flores e animais fantásticos.

Também no posfácio do livro é explicado que Browning não permitiu que os políticos corruptos e mentirosos de Hamelin tivessem essa visão. O tradutor Alípio Correia de Franca Neto termina seu texto complementar escrevendo:

Portanto, O Flautista de Manto Malhado em Hamelin, além de ser uma história para crianças, também pode ser lido pelos adultos como uma sátira ora ingênua ora grotesca sobre a corrupção dos governantes – um tema que, como todos sabemos por experiência, acaba por conferir-lhe perene atualidade.

Nós, brasileiros, sabemos que é uma verdade absoluta.

AVALIAÇÃO

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Imagens extraídas da internet.

5 comentários em “Resenha | O Flautista de Manto Malhado em Hamelin, de Robert Browning

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