Crítica | Watchmen (2019)

Acho que nem o maior entusiasta da HBO acreditava que Watchmen seria uma série tão impactante. Primeiro, pela produção se posicionar como uma sequência direta da HQ, uma das mais importantes e complexas já lançadas; segundo, pela ausência já esperada do escritor Alan Moore, que sempre mantém distância das adaptações de sua obra — o desenhista Dave Gibbons, co-criador de Watchmen, atuou como consultor.

O que a gente não sabia era que o showrunner Damon Lindelof (responsável por Lost e The Leftovers) tinha captado tão profundamente a essência da HQ original, publicada em 1985.

Questão racial em primeiro plano

A produção da HBO amplia e atualiza a obra criada por Moore e Gibbons, tratando-a com reverência mas sem ser um mero pastiche. A nova história se passa em 2019 e, mesmo inserindo novos elementos, dá continuidade aos fatos narrados há 34 anos. Por isso, a leitura da HQ é recomendável para a compreensão total da série, embora não seja obrigatória.

Se nos quadrinhos a Guerra Fria era o pano de fundo, agora a questão racial ocupa o centro do roteiro, com policiais mascarados enfrentando um violento grupo supremacista branco chamado A sétima cavalaria, que se espelha no vigilante Rorschach. Como se trata de Watchmen, também há uma grandiosa conspiração em andamento.

Antigos personagens reaparecem e não decepcionam. Suas participações são importantes para o roteiro e passam longe de ser apenas fan service. Suas personalidades foram respeitadas e é divertidíssimo ver o veterano Jeremy Irons dando vida ao brilhante e excêntrico Adrien Veidt. A forma como o Justiça Encapuzada (o primeiro herói do universo de Watchmen) surge na série é absolutamente brilhante.

Jeremy Irons em cena de “Watchmen”. (Reprodução)

Mas são os novos personagens que movem a trama e eles são espetaculares, especialmente a protagonista Angela Abar/Sister Night (Regina King), Looking Glass (Tim Blake Nelson) e Will Reeves (Louis Gossett Jr).

Tecnicamente, a série foi impecável: a direção, a trilha sonora, o figurino, as atuações… Os roteiros se destacaram e foram absurdamente bons. Foram apenas nove episódios, sendo que o sexto (This Extraordinary Being) foi antológico. Curiosamente, o último (See how they fly) foi o menos impactante, mas não prejudicou o resultado final.

Looking Glass (Tim Blake Nelson) e Sister Night (Regina King) com os outros policiais mascarados de “Watchmen”. (Reprodução)

Nada nunca termina de verdade

Damon Lindelof afirmou que escreveu Watchmen como uma minissérie, ou seja, teoricamente, não haverá novas temporadas. Cá pra nós, realmente não há necessidade. Mas, depois do sucesso de público e crítica — e com o gancho da última cena — nunca se sabe… Afinal, como diz o Doutor Manhattan: “Nada nunca termina de verdade”.

Se você é fã da obra original de Alan Moore e Dave Gibbons e não assistiu a série por ter ficado com o pé atrás, eu te entendo. Mas garanto: assista. Watchmen faz jus ao legado da HQ e é uma das melhores produções televisivas dos últimos anos.

WATCHMEN
Criação: Damon Lindelof
Elenco: Regina King, Louis Gosset Jr., Tim Blake Nelson, Jeremy Irons.
Temporadas: 1 (2019, 9 episódios)
Onde assistir: HBO GO


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

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