Crítica | After life – Primeira temporada

A expressão After life (depois da vida) é usada normalmente para especular sobre o que acontece com as pessoas quando elas morrem. Mas no caso da série da Netflix de mesmo nome — que foi escrita, dirigida e protagonizada pelo comediante inglês Ricky Gervais — o foco se volta para quem continua vivo e precisa encarar a dor de perder uma pessoa amada.

Viúvo e frustrado

Essa é a situação do personagem de Gervais, o jornalista Tony Johnson. Ele ficou viúvo há pouco tempo e acha que é impossível superar a morte da esposa. Além disso, ele se sente frustrado no jornal pitoresco onde trabalha e tem que ver o pai definhando com o mal de Alzheimer. Depressivo e com tendências suicidas, Tony se torna uma pessoa amarga e decide fazer e falar tudo o que quiser, sem se preocupar em ser agradável com ninguém.

Essa decisão faz com que o personagem seja repulsivo em diversos momentos, mas, ironicamente, gera as situações mais cômicas da série. Ao mesmo tempo, fica claro que Tony era uma pessoa adorável antes de perder a esposa. Seus amigos, mesmo sendo as principais vítimas do seu sarcasmo, continuam gostando dele e essa afeição se estende ao espectador.

O equilíbrio é o grande diferencial de After life. A série tem momentos muito engraçados e outros muito tristes. Se o roteiro tivesse sido escrito com mais exagero, Tony teria se tornado um personagem absolutamente intragável e o luto acabaria sendo tratado de forma leviana — o que não é o caso. Ao mesmo tempo, After life tem cenas emocionantes, sem apelar para o sentimentalismo ou se tornar piegas.

Pessoas comuns

A produção, a direção e as atuações são enxutas, sem exageros. Ricky Gervais sempre rouba a cena, mas todo o elenco de apoio é impecável. Seus personagens são pessoas comuns, convivendo com pequenas alegrias e algumas tristezas. Através deles, Tony tem a chance de descobrir que não é o único com problemas e dificuldades na vida.

Tony (Ricky Gervais, olhando para a câmera) e seus colegas do jornal em cena de “After life”. (Reprodução)

Minha única crítica é o subtítulo usado pela Netflix aqui no Brasil: Vocês vão ter que me engolir. Ele não transmite o lado dramático da série e é totalmente dispensável.

After life tem apenas seis episódios, com cerca de meia-hora cada. Ou seja: dá pra assistir tranquilamente em um dia ou dois. Recomendo bastante a série e estou ansioso pela segunda temporada, que já foi anunciada e deve estrear em 2020.

AFTER LIFE – PRIMEIRA TEMPORADA
Onde assistir: Netflix
Avaliação: 5-estrelas-otimo / Ótimo

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