Análise | Game of Thrones: The last of the Starks (S08E04)

Desconforto. Essa foi a sensação que o episódio The last of the Starks deixou nos espectadores de Game of Thrones, desde o início, com a cremação dos mortos da Batalha de Winterfell, até o desfecho nas muralhas de Porto Real. São dois os motivos: o primeiro é que o capítulo do último domingo foi o menos empolgante dessa última temporada; o segundo é que os personagens “do bem” parecem estar escolhendo caminhos duvidosos, logo agora que a jornada está chegando ao fim.

Atenção: esse texto tem spoilers.

O começo do episódio foi emocionante. Com um belo discurso de Jon Snow, os personagens que sobreviveram ao ataque do Rei da Noite cremaram os corpos daqueles que tombaram. Foi a despedida definitiva de Jorah, Lyanna, Edd, Theon e Beric.

Por mais que tenha sido dolorosa, a vitória merecia uma comemoração, e ela aconteceu nos salões de Winterfell. Em meio a risos e muita bebedeira, Daenerys reconheceu Gendry como o herdeiro legítimo de Robert Baratheon e o transformou no Lorde de Ponta Tempestade. Mais tarde, Brienne perdeu a virgindade com Jaime.

Esses acontecimentos já eram esperados há algum tempo, mas ganharam um gosto amargo ao longo do episódio. Gendry pediu Arya em casamento e, obviamente, ouviu um “não” como resposta — ela não é uma Lady e jamais será. Perto do fim, Brienne foi abandonada por Jaime, que assumiu que é uma pessoa abominável e partiu para encontrar Cersei em Porto Real.

Os últimos Starks à frente: Sansa (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams) e Bran (Isaac Hempstead-Wright) na cremação em Winterfell.

Ainda na festa, Daenerys se sentiu mais insegura em relação a Jon Snow. Além de saber que ele é o herdeiro legítimo do Trono de Ferro, a Mãe dos Dragões se deu conta de como Jon é querido e admirado como líder. A insegurança de Daenerys atingiu o auge quando ela pediu que Jon não contasse para ninguém sobre seu verdadeiro nome.

Depois de considerar o pedido, ele decidiu revelar o segredo para as irmãs, com a condição que elas não falassem para mais ninguém. Mas Sansa, pós-graduada na escola “Mindinho” de manipulação, contou para Tyrion — que logo fez a informação chegar ao conhecimento de Varys.

O eunuco decidiu imediatamente que Jon será um governante melhor que Daenerys, e plantou a dúvida na cabeça de Tyrion.

Missandei (Nathalie Emmanuel), Daenerys (Emilia Clarke) e Varys (Conleth Hill).

Definitivamente, The last of the Starks não foi um bom episódio para Dany. Se não bastasse tudo que aconteceu, ela e seus navios ainda foram atacados por Euron Greyjoy enquanto seguiam para Pedra do Dragão. O dragão Rhaegal, bastante debilitado pela batalha em Winterfell, acabou morto, e Missandei foi feita prisioneira — para ser decapitada depois por ordem de Cersei.

Uma teoria levantada por muitos espectadores diz que Daenerys vai se tornar uma tirana ou enlouquecer, da mesma maneira que aconteceu com seu pai, o rei Aerys II. Essa teoria nunca esteve tão próxima de acontecer.

Dany perdeu dois de seus três dragões; viu seu exército ser reduzido consideravelmente; presenciou a morte das duas pessoas mais próximas a ela, Jorah e Missandei; e falhou em praticamente todos as estratégias desde que chegou a Westeros. De quebra, seus concorrentes pelo Trono de Ferro são Jon Snow, seu par romântico, e Cersei, uma estrategista mais eficiente do que ela. Isso sem falar na possível mudança de lado de Tyrion, o Mão da Rainha.

Daenerys e Rhaegal, pouco antes da morte do dragão.

O próximo episódio, o penúltimo da série, será decisivo para o destino de Daenerys. Tudo leva a crer que ela vai despejar “fogo e sangue” (o lema de sua família) sobre Porto Real, mesmo que isso custe a vida de muitas pessoas inocentes. Se isso acontecer, como seus súditos e seus aliados vão reagir?

Será triste se Daenerys realmente enlouquecer, já que a personagem foi construída como uma heroína predestinada ao trono. Muita gente verá como um desfecho injusto para ela, mas, como disse Tyrion em outra ocasião: “Se você quer justiça, veio ao lugar errado”.

Tormund (Kristofer Hivju), Sam (John Bradley-West), Gilly (Hannah Murray) e Fantasma se despedem de Jon Snow. O lobo sempre foi fiel, perdeu uma orelha lutando contra os mortos e merecia uma despedida mais decente.

Além da situação de Daenerys, o desenrolar da trama apresentou vários outros elementos que contribuíram para a sensação de desconforto: a inesperada e sangrenta morte de Rhaegal; a execução de Missandei; as lágrimas de Brienne; Sam, Gilly, Tormund se despedindo de Jon Snow; o próprio Jon partindo sem dar atenção ao Fantasma

(Segundo o diretor David Nutter foi pra economizar no CGI, já que as imagens do lobo são manipuladas digitalmente. Mesmo assim, foi imperdoável.)

O roteio também teve falhas que fizeram o episódio perder alguns pontos: como Daenerys, voando em Drogon, não viu a frota de Euron? Como aceitar Sansa dizendo que os abusos (físicos, psicológicos e sexuais) que ela sofreu nas mãos de Ramsay a tornaram mais forte? E como Tyrion cita o bebê que Cersei, supostamente, espera de Jaime, sem despertar a suspeita de Euron (que pensa que o filho é dele)?

Isso sem falar do famigerado copo de café que alguém esqueceu em cena…

Euron Greyjoy (Philip Asbæk) e Cersei Lannister (Lena Headey).

Mas vamos em frente. Emília Clarke já disse que a batalha do próximo episódio vai ser espetacular, e a tensão continua elevada. Definitivamente, a “Grande Guerra” é esta que está acontecendo.

Uma última observação: Cersei continua dando um banho de estratégia em seus inimigos, e Lena Headey rouba a cena sempre que aparece.

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