Análise | Game of Thrones: The long night (S08E03)

No domingo à noite, assim que o episódio The long night terminou, eu fiquei bem dividido em relação a ele. Foram mais de 80 minutos de tensão e o desfecho foi catártico, mas a apresentação da Batalha de Winterfell teve vários problemas. Quando assisti o episódio pela segunda vez, porém, vi que os méritos superaram os defeitos.

Atenção: este texto está cheio de spoilers.

Logo no início já deu pra perceber o quanto a fotografia estava escura e como a transmissão da HBO estava longe do ideal. A baixa iluminação e as imagens pixeladas prejudicaram — e muito — a experiência de ver o episódio. Mas o uso do fogo na escuridão rendeu cenas belíssimas, como quando Melisandre, invocando o poder de R’hllor, incendeia as espadas dos Dothraki e, depois, acende as trincheiras que rodeiam Winterfell.

Também é óbvio dizer que as estratégias de defesa de Jon Snow e Daenerys foram, com o perdão do trocadilho, indefensáveis. Eles usaram seus soldados mais letais, os Imaculados e os Dothraki, como bucha de canhão, e grande parte dos guerreiros ficou fora do castelo, à frente das trincheiras. Eu estou longe de ser um especialista em guerra, mas os roteiristas pisaram na bola ao criar esse plano defensivo.

Brienne (Gwendoline Christie) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) cercados pelos mortos.

Muita gente reclamou que a batalha foi caótica demais; cá entre nós, não teria como ser diferente. O exército dos mortos atacava sem nenhuma disciplina e avançava como um tsunami de morte. Seria impossível que os vivos se organizassem para combater esse caos. Foi um verdadeiro salve-se quem puder.

Pelo desenvolvimento da batalha, seria aceitável que mais personagens importantes morressem. Sam, Jaime, Brienne e Podrick ficaram encurralados em diversas ocasiões, mas sobreviveram.

Pelo menos, nenhuma morte foi gratuita. Todos os personagens que perderam a vida, morreram de forma nobre: Edd Doloroso salvou Sam; Beric Dondarrion cumpriu sua missão ao proteger Arya; a pequena Lyanna Mormont derrotou um gigante mesmo depois de ter seu corpo estraçalhado por ele; Jorah Mormont tombou protegendo sua amada Daenerys; e Theon Greyjoy se redimiu de todos os seus crimes ao se sacrificar para defender Bran.

Theon (Alfie Allen) se redimiu ao defender Bran até a morte.

Melisandre também morreu ao final da batalha, na qual ela foi decisiva. Com o inimigo derrotado, a Mulher Vermelha deu sua missão por cumprida e tirou o colar que lhe dava juventude. Ela se tornou novamente uma anciã com séculos de vida e morreu em paz ao deixar Winterfell.

Durante a batalha foi difícil entender o que teria acontecido ao dragão Rhaegal e ao lobo Fantasma, já que eles simplesmente desapareceram de uma hora pra outra. Mas eles são vistos na prévia do próximo episódio; para a nossa alegria, estão vivos.

Arya (Maisie Williams): a personagem mais importante de “The long night”.

Sem dúvida, a grande personagem de The long night foi Arya Stark. A jovem assassina teve as melhores cenas de luta e a sequência com maior tensão, na qual ela se esconde dos mortos no que parece ser uma biblioteca.

Se os roteiristas erraram a mão em alguns momentos do episódio, acertaram em cheio ao fazer de Arya a heroína da batalha. Pense comigo: apenas ela conseguiria chegar tão perto do Rei da Noite sem ser percebida; ela tinha a habilidade e a arma necessárias para matá-lo; e ela é uma das personagens mais queridas de todos. Foi rápido? Foi. Mas com a Arya é assim.

Foi uma surpresa, sem dúvida, já que todos esperavam que o Rei da Noite seria derrotado por Jon ou por Daenerys. Mas foi uma ótima surpresa.

O Rei da Noite (Vladimir Furdik) e seu famoso gesto que traz os mortos de volta à vida.

Eu gostaria apenas que os White Walkers tivessem tido uma participação maior — eles não fizeram absolutamente nada durante todo o episódio. Ok, o Rei na Noite atacou com seu dragão, resistiu às chamas de Drogon e ressuscitou outros mortos durante a batalha, mas eu queria muito vê-los no meio do combate.

Desde a primeira cena da primeira temporada eles são colocados como a grande ameaça a Westeros, e no episódio Hardhome deu pra perceber como eles são bons no combate mano a mano. Mas, em Winterfell, eles ficaram apenas observando enquanto os mortos faziam o trabalho sujo. Não seria legal ver um White Walker duelando contra a Brienne? Ou o Rei da Noite numa disputa mais longa com Theon, antes de chegar ao Bran? Ou melhor ainda: um White Walker nas criptas, tentando pegar os bebês para transformá-los em criaturas como eles?

Graças a Arya, os Caminhantes Brancos não são mais um problema. Mas Cersei ainda é. E a disputa pelo Trono de Ferro volta a ser o tema principal dos últimos capítulos da série.

Ao rever The long night conclui que a Batalha de Winterfell talvez não tenha sido “a maior batalha da história da televisão e do cinema”, como foi divulgado pelos produtores. Mas, ainda assim, esse foi um episódio impactante e que vai ser sempre lembrado pelos fãs de Game of Thrones.

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