Resenha | Lobo de rua, de Jana P. Bianchi

LOBO DE RUA
Autora: Jana P. Bianchi
Editora: Dame Blanche
Páginas: 122
Onde comprar: Amazon

Esqueça os lobisomens americanos que passeiam por Londres ou Paris. A novela Lobo de rua, da escritora Jana P. Bianchi, narra, com muita originalidade, a história de um lobisomem brasileiro que vive em São Paulo.

Os mistérios da licantropia

O lobo do título é Raul, um jovem miserável que mora nas ruas da capital paulista. Sem saber como ou por quê, ele começa a se transformar em lobisomem nas noites de lua cheia, num processo doloroso, violento e traumático. Numa de suas transformações, ele é encontrado por Tito Agnelli, um italiano que há décadas é vítima da mesma maldição.

Tito assume a responsabilidade de ensinar ao rapaz os mistérios da licantropia e as melhores formas de suportar seu destino.

Mitologia própria

A escrita de Jana P. Bianchi (que também é editora da revista virtual Mafagafo) é muito envolvente. Lobo de rua é um texto curto, mas a autora conseguiu desenvolver nele uma nova mitologia para seus lobisomens: a forma de contaminação, o tempo de vida, a organização das alcateias, as habilidades especiais, etc. E essas novas ideias são muito interessantes!

Na novela também há espaço para crítica social. Por não ter instrução, Raul tem dificuldade para entender sua situação. A vida nas ruas fez dele um rapaz cheio de dor e medo e essa característica se acentua a cada nova transformação:

“Enfim, afundou ainda mais no lixo fedorento e começou a chorar. Queria ficar bem quieto, sumir, dormir e nunca mais acordar.

Mas a vida insistiu em passar. Em um mês, a lua impiedosa minguou, nasceu, cresceu e voltou a sorrir prateada e quase toda cheia no céu nublado do verão.”

Galeria Creta

À medida que a leitura avança, novos elementos vão aparecendo, ou apenas sendo citados, na trama: caçadores de lobisomens, ciganas, minotauros, um rapaz cético chamado Téo e um local misterioso, a Galeria Creta. É lá que uma reviravolta acontece na trama de Raul.

Mas daí o livro acaba.

Confesso que num primeiro momento fiquei frustrado. Não pela leitura ter sido ruim, muito pelo contrário, mas porque eu queria saber mais.

Foi só então que descobri que Lobo de rua é justamente uma introdução ao universo da Galeria Creta, que será ampliado em outras histórias de Jana P. Bianchi. Isso não é segredo pra ninguém, eu que estava mal informado…

Fiquei animado com a notícia. O universo criado pela autora tem tudo para render várias outras narrativas e eu já estou com vontade de lê-las. Aliás, é difícil não ter esse sentimento ao finalizar Lobo de rua.

Se você gosta de fantasia urbana, ou se quer conhecer melhor esse gênero, a novela de Jana P. Bianchi é uma ótima pedida!

3 comentários em “Resenha | Lobo de rua, de Jana P. Bianchi

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