Diários #17 | Como conheci Edgar Allan Poe

Minha mãe é professora e, durante a semana, ela tem três horários que são dedicados à leitura de textos literários para seus alunos. Isso é muito importante. Me lembro, como se fosse ontem, de quando uma professora me apresentou a obra de Edgar Allan Poe.

O barril de amontillado

Minha professora de português da quinta-série se chamava Denise. Ela estipulou que, em determinado momento das sextas-feiras, leria um conto que ela gostava para a classe. Não tenho certeza – e nem sei o motivo – mas acho que só houve uma leitura, mas foi um acontecimento marcante: a professora Denise leu pra gente O barril de amontillado, um dos contos mais conhecidos de Poe, que foi publicado originalmente em 1846.

Na história, o personagem Montresor narra, com extrema frieza e crueldade, como se vingou de Fortunato, um conhecido que o tinha insultado gravemente.

Sim, talvez existam histórias mais construtivas e politicamente corretas para alunos de 11 anos de idade, mas poucas são tão fascinantes quanto essa.

Fortunato-e-Montresor-ilustração-de-Arthur-Rackham
Fortunato e Montresor, em ilustração de Arthur Rackham. O conto se passa na Itália, durante o carnaval, por isso os personagens estão fantasiados.

Um dos grandes méritos da nossa professora foi perceber, ou melhor, não negar, o quanto uma história de terror ou de suspense mexe com crianças e adolescentes. Ela poderia ter lido um conto de algum importante autor realista brasileiro, mas o efeito teria sido o mesmo?

Edgar Allan Poe não fazia parte do nosso cronograma de Língua Portuguesa; embora a gente tenha sido obrigado a escrever uma redação “de suspense” na semana seguinte, a leitura em voz alta de O barril de amontillado serviu apenas pra que a gente entrasse em contato com uma boa história. Obviamente, também foram feitas contextualizações sobre o autor e seu trabalho.

Foi ali que eu conheci o bom e velho Edgar e, desde então, ele se tornou um dos meus escritores preferidos. Serei sempre grato à minha professora.

Capa irresistível

Também preciso dar o crédito merecido para a Editora Ática. O barril de amontillado fazia parte da coletânea O escaravelho de ouro e outras histórias, que, por sua vez, foi lançada na coleção Eu leio. O livro foi apresentado à classe e nos conquistou antes que qualquer palavra fosse lida.

Diga a verdade: qual garoto de 11 anos não ficaria fascinado – e arrepiado – com uma capa dessa?

Capa-e-contracapa-O-escaravelho-de-ouro-Editora-Ática.
Capa e contracapa da edição da Editora Ática.

Imagens extraídas da internet.

 

 

3 comentários em “Diários #17 | Como conheci Edgar Allan Poe

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