Séries | Finalmente assisti Breaking Bad

Sim, eu sei que estou atrasado, afinal já faz quatro anos que Breaking bad chegou ao fim. Mas, mesmo tardia, foi uma experiência e tanto. Agora só uma questão não me sai da cabeça: por que eu não assisti antes?

Heisenberg

A trama de Breaking bad é bem conhecida, mas não custa nada relembrar: a série conta a história de Walter White, um pacato professor de química que é diagnosticado com câncer no pulmão. Preocupado com o futuro de sua família (a esposa Skyler, que está grávida, e o filho Walter Jr., que tem paralisia cerebral), White decide usar seus conhecimentos para entrar no lucrativo mercado das drogas sintéticas.

Ele se associa a Jesse Pinkman, um ex-aluno seu que se tornou um pequeno traficante, adota a alcunha de Heisenberg e passa a fabricar metanfetamina. A qualidade do produto – que tem um grau de pureza altíssimo e é identificável pela cor azul – faz com que eles prosperem nos negócios, mas isso exige que White e Pinkman se envolvam com pessoas cada vez mais perigosas.

Se não bastasse, Walter precisa fazer o impossível para esconder suas atividades ilícitas da família, principalmente de seu cunhado, Hank. O cara é agente do departamento de narcóticos da polícia e quer descobrir a todo custo a identidade do tal Heisenberg.

O núcleo principal de Breaking bad: Jesse (Aaron Paul). Walter (Bryan Cranston), Skyler (Anna Gunn), Walter Jr. (R.J. Mitte), Marie (Betsy Brandt) e Hank (Dean Norris).

Séria, realista e adulta

O tom de Breaking bad me surpreendeu logo de cara. Antes de assistir, eu esperava que a série fosse uma comédia de humor negro, no melhor estilo Quentin Tarantino. Que nada.

Enquanto os filmes do diretor norte-americano têm o exagero e a paródia como parte da estética, Breaking bad é extremamente séria, realista e adulta. Cada atitude dos personagens gera consequências, que nem sempre são boas ou contornáveis. Isso não quer dizer que a série não seja divertida: Walter encontra várias soluções dignas do MacGyver e a inexperiência de Walter e Jesse rende momentos engraçados.

As imagens aceleradas se tornaram marca registrada da série, mas o ritmo do seriado é lento na maior parte do tempo. Existem várias cenas de ação, com alto grau de tensão, mas a prioridade do roteiro é claramente construir as identidades dos personagens e acompanhar as mudanças pelas quais eles vão passando. E que personagens, senhoras e senhores!

Nenhum deles é previsível, e o que sentimos em relação a eles (amor, ódio, indiferença) muda frequentemente ao longo da série. O elenco é excepcional e é difícil achar uma interpretação que seja menos do que boa.

Jesse e Walter “cozinhando” a metanfetamina.

Personagens brilhantes

Ainda sobre os personagens, uma coisa que eu gostei muito é que eles não são tolos. Pelo contrário, cada um é muito bom no que faz. Jesse, por exemplo, pode ser um viciado que comete muitos vacilos, mas ele se mostra brilhante em várias situações. Hank, mesmo que às vezes haja como um babaca, é um investigador e tanto, que só não consegue descobrir a identidade de Heisenberg porque Walter é um gênio.

O mesmo se estende aos coadjuvantes. Gus, Mike… O único personagem mais caricato é o advogado Saul Goodman, mas, mesmo assim, ele é um ótimo profissional que encontra saídas para todas as situações que se possa imaginar.

Mas Walter White merece um parágrafo à parte. O personagem de Bryan Cranston paira acima de todos os outros. Ao se dar bem no mundo do crime, Walter passa a ser reconhecido pelo seu talento pela primeira vez na vida e ganha muito, mas muito dinheiro. Isso faz com que ele manifeste um lado sombrio que ficava escondido naquele professor frustrado do início da série: White se mostra frio, manipulador, mentiroso, violento, ganancioso…

Em alguns momentos você quer torcer pelo cara, mesmo sabendo que ele não é flor que se cheire; em outros, você espera do fundo do coração que ele se ferre, mas fica aliviado quando tudo dá certo.

Walter White/Heisenberg com a sua já clássica roupa amarela.

Assista o quanto antes

Breaking bad dá uma aula de roteiro. Além da excelente construção dos personagens, acontecem inúmeras reviravoltas na trama e os ganchos entre um episódio e outro são daqueles que tornam impossível parar de assistir. A série usa bastante o recurso do flashfoward (quando um evento do futuro é mostrado, em contraposição ao flashback, que mostra um evento do passado), o que torna algumas passagens ainda mais intrigantes.

Embora as cenas nos laboratórios de metanfetamina tenham se tornado referência na cultura pop, não há glamourização das drogas. Sem ser careta, as cenas com os usuários de metanfetamina são fortes e deprimentes. Quem é que se esquece do garotinho sujo que é negligenciado pelos pais viciados? Ou do cara de terno e cueca nas festas intermináveis do Jesse? A série também mostra como o mercado das drogas é sustentado por estruturas gigantescas, muitas vezes envolvendo pessoas acima de qualquer suspeita.

Dica de amigo: assista Breaking bad o quanto antes. As cinco temporadas (num total de 62 episódios) estão disponíveis na Netflix. Uma história incrível cheia de reviravoltas, personagens inesquecíveis, atuações memoráveis… Precisa pedir mais?

Observação 1: Breaking bad foi exibida entre 2008 e 2013 e, entre outras premiações, recebeu 58 indicações ao Emmy (ganhou 16) e 7 ao Globo de Ouro (faturou duas estatuetas).

Observação 2: após o fim de Breaking bad, o advogado Saul Goodman ganhou sua própria série, Better call Saul. Produzida pela Netflix, ela se passa antes de Saul conhecer Walter White e já tem três temporadas.

Observação 3: a Darkside Books lançou Breaking Bad: o livro oficial, uma obra fundamental para os fãs da série. O livro tem depoimentos, fotos, citações, reprodução de materiais promocionais e muito mais, além de uma longa entrevista com Vince Gilligan, o criador de Breaking bad. Pra saber mais ou comprar o livro, clique na capa; você será direcionado ao site da Amazon.

 

Imagens extraídas da internet.

4 comentários em “Séries | Finalmente assisti Breaking Bad

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