Resenha | O hobbit, de J. R. R. Tolkien

Capa-O-Hobbit.jpgO hobbit
Autor:
J. R. R. Tolkien
Tradução:
Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta
Editora:
WMF Martins Fontes
Páginas:
303
Compre pela Amazon:
amzn.to/2h9cnf8

Espere aí! Você nunca leu O hobbit? Só assistiu aos filmes? Então espero que esta resenha te convença a correr atrás do prejuízo. Sim, este não é um texto imparcial, afinal, esse é o livro que eu mais reli na vida.

Um mago, 13 anões e… um hobbit

Embora J. R. R. Tolkien já viesse escrevendo histórias sobre a mitologia da Terra-Média há algum tempo, O hobbit foi o primeiro livro que ele publicou sobre elfos, anões, orcs e os pequenos personagens de pés peludos, isso no distante ano de 1937.

O hobbit do título é o pacato Bilbo Bolseiro, que se une ao mago Gandalf e a uma comitiva de 13 anões (liderada por Thorin Escudo de Carvalho) para cumprir uma missão perigosa: recuperar a Montanha Solitária (antiga moradia dos anões) das garras do dragão Smaug, que tinha invadido-a e tomado posse de todos os tesouros guardados em seu interior.

A aventura dessa equipe é cativante, mas a importância desse livro para a obra de Tolkien reside, principalmente, no fato de que é nessa jornada que Bilbo encontra o “Um anel”. Estou falando da terrível arma de Sauron, o Senhor do Escuro, que Frodo (sobrinho de Bilbo) precisa destruir na trilogia O senhor dos anéis.

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O escritor J. R. R. Tolkien

Um livro – inicialmente – para crianças

É preciso esclarecer, porém, que Tolkien não escreveu O hobbit já tendo em vista sua sequência mais famosa. A aventura de Bilbo ao lado dos anões se tornou um sucesso logo que chegou às livrarias, e o editor de Tolkien pediu que ele criasse uma nova história. Foi então que O senhor dos anéis surgiu, uma obra muito mais complexa e pretensiosa (no bom sentido) do que O Hobbit – que, no fim das contas, foi concebido como um livro para crianças.

Em sua jornada, Bilbo encontra todo tipo de criatura mágica, como os trolls esfomeados Tom, Bert e Bill, águias e aranhas falantes, e o troca-peles Beorn, que é capaz de se transformar em urso. Em muitas passagens os personagens cantam. Os anões usam gorrinhos coloridos. Bilbo participa de um jogo de adivinhas com Gollum. O dragão Smaug é um tagarela. Entretanto, apesar de ser claramente infantil, a obra pode ser lida sem problemas por leitores mais adultos.

Isso porquê, além do encanto da aventura, Tolkien é um ótimo contador de histórias e impõe um ritmo frenético ao texto. Como diz o título de um dos capítulos, Bilbo, Gandalf e os anões passam todo o romance pulando “da frigideira para o fogo”. Além disso, o escritor deixou algumas passagens misteriosas no livro, como a existência de um Necromante, cuja identidade seria revelada apenas em O senhor dos anéis.

De uma forma geral, não dá pra dizer que os personagens são muito complexos. Ainda assim, alguns deles surpreendem, como Bilbo descobrindo que é capaz de agir com coragem e astúcia, Thorin oscilando entre a honra e a ambição, e Gandalf desaparecendo  em momentos delicados sem maiores explicações. Também é interessante perceber como Tolkien faz com que seus personagens passem de aliados a inimigos e vice-versa.

Pontos negativos

O hobbit tem dois pontos que me desagradam. O primeiro é a quantidade de anões. Muitos deles têm um papel nulo na trama e poderiam ter sido descartados – uma meia dúzia estava mais do que suficiente. O outro ponto que não gosto é a participação de Bilbo na “Batalha dos cinco exércitos”, o clímax do livro. Na minha opinião, Tolkien optou pelo mais simples e acabou decepcionando nessa passagem.

E falando em decepção, eu preciso comentar brevemente os filmes… Não dá pra negar que o diretor Peter Jackson exagerou ao transformar um livro (mesmo que ele seja bem movimentado) em três longas. Também achei que o excesso de efeitos digitais foi prejudicial; faltou aquele lado artesanal presente na trilogia cinematográfica de O senhor dos anéis (se você assistiu algum dos vídeos da produção de A sociedade do anel, As duas torres ou O retorno do rei, sabe bem do que estou falando).

A trilogia O hobbit não é de todo ruim, mas ficou abaixo das expectativas. Porém, o Bilbo – vivido por Martin Freeman – e Smaug ficaram muito legais.

Se você viu apenas os filmes mas nunca leu O hobbit, mergulhe nas páginas do livro o quanto antes; você vai se surpreender. E se você nunca leu nada de Tolkien, melhor ainda. Não existe melhor porta de entrada para a Terra- Média do que a aventura de Bilbo Bolseiro.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

 

Imagens extraídas da internet (exceto a foto de capa, tirada por Lucas Furlan).

 

10 comentários em “Resenha | O hobbit, de J. R. R. Tolkien

  1. O Hobbit é um dos melhores livros de aventura que tem! E concordo com você sobre a quantidade de anões, nem fazia diferença quem era quem e sobre a batalha dos 5 exércitos, Tolkien foi preguiçoso nesse ponto. Smaug melhor dragão!
    Ótima resenha!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu li O Hobbit faz tempo e acho que foi antes de ler O Senhor dos Anéis, há um bom tempo também, acho que depois do lançamento do primeiro filme li a trilogia.
    Não vou negar que alguns detalhezinhos da trama do livro me escapam, e recentemente comprei o livro justamente para poder reler essa belezura. E eu não classifico ele em nada como ‘infantil’, sei que era a ideia de Tolkien, mas ele criou algo tão maior que ultrapassa os moldes dos livros infantis.
    Sobre os filmes, eu particularmente gosto deles e, acho que foi feito daquela maneira, em três e colocando aquele monte de coisas que não tem no livro, porque eles queriam agradar ($$$) os fãs da trilogia. Sei lá… tô especulando… kkkk
    Curti a resenha, me lembrou que preciso reler o livro logo! 🙂
    xoxo

    Curtido por 1 pessoa

  3. Eu tinha um pouco de receio com O Senhor dos Anéis, até que vi os filmes e fiquei apaixonada demais. O Hobbit, tenho o livro e os DVDs, mas ainda não peguei nenhum. Estou louca para ler, mas sabe aquela de ficar empurrando?
    Lendo sua resenha deu até saudade do contato com esse universo de Tolkien!

    Beijos!
    Luar de Livros

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Rê!

      Normal, todo livro tem sua hora certa, né?

      Sobre a trilogia “O hobbit”, eu não acho ela de todo ruim, mas ainda prefiro os filmes de “O senhor dos anéis”.

      Aquela dica óbvia que todo leitor dá: leia “O hobbit” antes de ver os filmes rsrsrs

      Obrigado pelo comentário!

      Curtir

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