Lista | 15 depoimentos dos Beatles sobre o disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

Há exatamente 50 anos, no dia primeiro de junho de 1967, chegou às lojas o oitavo disco dos Beatles, o lendário Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O álbum foi um marco na história da música pop e é considerado unanimemente como um dos melhores e mais inovadores de todos os tempos.

Motivos não faltam: Sgt. Pepper tem clássicos como Lucy in the sky with diamonds, A day in the life e a faixa título; o disco vai muito além do rock, apresentando diferentes estilos musicais e várias sutilezas sonoras; a capa é a mais imitada da história; foi o primeiro álbum a conter todas as letras no encarte; foi com ele que as gravadoras perceberam que um os LPs poderiam ser mais rentáveis do que os compactos; é totalmente sintonizado com à era hippie, mas continua soando moderno até hoje; e por aí vai…

Para celebrar o cinquentenário dessa obra tão especial, separei 15 depoimentos sobre Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dados pelos próprios Beatles e também pelo produtor George Martin. Os trechos foram extraídos do luxuoso livro Antologia, lançado aqui no Brasil pela extinta Cosac Naify. A tradução é de Ana Luiza Dantas Borges, Beatriz Karan Guimarães, Cid Knipel e Cláudio Nascimento.

Beatles-1.jpgSobre o conceito do disco

1 – Paul McCartney:

“Era o começo da era hippie, e tinha um clima de badalação hippie nos Estados Unidos. Comecei a pensar em um nome realmente louco para dar a uma banda. (…) Juntei então essas palavras: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Levei a ideia para os caras em Londres: ‘Como estamos tentando nos livrar de nós mesmos, para sair das turnês e entrar numa coisa mais surreal, que tal se a gente virasse uma banda alter ego, alguma coisa do tipo, digamos, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts? Estou com um pedacinho de música em preparação com esse título'”.

2 – Ringo Starr:

Sgt. Pepper foi o nosso esforço mais grandioso. Ele dava para todos, inclusive para mim, um bocado de liberdade para propor ideias e experimentar material diferente. (…) Tudo podia acontecer e foi um processo emocionante”.

3 – Paul McCartney: 

“‘Nós seremos a banda do Sgt. Pepper e durante todo o disco fingiremos ser outras pessoas’. (…) Isso liberava a gente, você podia fazer qualquer coisa quando pegasse o microfone ou a guitarra, porque não era você”.

Sobre as drogas durante as gravações

4 – John Lennon:

“Nunca tomei LSD no estúdio. Na verdade, tomei uma vez: pensei que estava tomando um estimulante e não estava em condições de lidar com aquilo. Tomei e subitamente fiquei apavorado diante do microfone. (…) Realmente não fizemos o disco à base de maconha e outras drogas, mas, por assim dizer, teve um efeito”.

5 – George Martin:

“Eu tinha conhecimento de que eles fumavam maconha, mas não sabia que faziam nada mais grave. (…) Eu me imaginava como um irmão mais velho para eles. Era catorze anos mais velho. Acho que era careta e eles sabiam que eu desaprovava veemente as drogas (embora lamente o meu tabagismo, que também é ruim). Eles nunca fumaram maconha na minha presença, costumavam dar um pulo na cantina lá de baixo, davam uns tapinhas e voltavam dando risadinhas”.

Beatles-2.jpgSobre algumas das composições

6 – John Lennon:

“Vi Mel Tormé apresentando um programa sobre Lennon e McCartney, dizendo que Lucy in the sky with diamonds era sobre o LSD. Jamais foi, e ninguém acredita em mim. A verdade é a seguinte: meu filho chegou em casa com um desenho e me mostrou a mulher de aspecto estranho que voava. Perguntei: “O que é isto?”, e ele respondeu: “É Lucy no céu com diamantes”. (…) Na mesma hora fiz uma canção com esse tema”.

7 – George Harrison:

Within you without you” surgiu depois que eu tinha passado um bom tempo na Índia e me rendi ao encanto do país e da sua música. Eu tinha trazido muitos instrumentos de lá. (…) Eu também tinha passado um bom tempo com Ravi Shankar, tentando descobrir como sentar e segurar a cítara e como tocá-la”.

8 – John Lennon:

“Paul e eu estávamos sem dúvida trabalhando juntos, especialmente em A day in the life. Boa parte do tempo a gente compunha desse jeito: eu fazia o pedaço bom, a parte que era fácil, como ‘I read the news today’ ou o que quer que fosse. Então, quando empacava ou sempre que ficava difícil, em vez de prosseguir eu simplesmente deixava de lado. Depois, a gente se encontrava, eu cantava metade e isso serviria de inspiração para ele compor o trecho seguinte, e vice-versa”.

Sobre a famosa capa

9 – Paul McCartney:

“Para nos ajudar a entrar no personagem da banda do Sgt. Pepper, começamos a pensar sobre quais poderiam ser os nossos heróis: ‘Bem, então quem essa banda gostaria de ter na capa?’. Escrevemos uma lista. Eles podiam ser tão diversos quanto desejássemos: Marlon Brando, James Dean, Albert Einstein, ou quem quer que fosse. Daí, começamos a escolher…”

10 – George Harrison:

“Tinha aqueles que se recusavam a estar ali, dizendo: ‘Eu não sou um coração solitário’, ou ‘Eu não quero estar ali’. Foi preciso enviar cartas para obter permissão de todos, e algumas pessoas realmente se recusaram”.

11 – Paul McCartney:

“John queria um par de extremos, como Hitler e Jesus. Era John simplesmente querendo ser ousado e atrevido. Ele estava a fim de correr riscos e eu sabia o que estava fazendo. Não concordei com isso, mas ele no fundo estava apenas tentando ser criativo”.

Beatles-4.jpgSobre o resultado final, a receptividade e o legado do álbum

12 – George Harrison:

“Gostei de Sgt. Pepper quando ele ficou pronto. Eu sabia que era diferente para o público e estava muito feliz com o conceito da capa. A day in the life tinha a grande orquestra e o grande acorde de piano, e musicalmente gostei de Lucy in the sky with diamonds. Mas o resto eram apenas canções comuns”.

13 – Ringo Starr:

“Sgt. Pepper parecia captar o clima daquele ano e também permitia que muitas outras pessoas dessem o pontapé inicial a partir dali e realmente fossem atrás. Quando esse álbum saiu, o público amou. Era um monstro. Todo mundo amou e todos admitiam que era uma produção realmente apurada. E era mesmo”.

14 – Paul McCartney:

“Depois que o disco foi concluído, achei que estava sensacional. (…) Foi lançado numa sexta-feira e, no domingo, Jimi Hendrix abriu com Sgt. Pepper quando o vimos no Saville Theatre. Esse foi o maior tributo pra mim. Eu era grande fã de Jimi, e ele só tinha tido três dias para aprender a música”.

15 – George Martin:

“Olhando Pepper agora, você pode perceber que ele foi mesmo um ícone. Foi o disco daquela época e é provável que realmente tenha transformado as técnicas de gravação, mas não fizemos isso de maneira consciente. Acho que houve um desenvolvimento gradual dos rapazes, à medida que tentavam deixar a vida um pouco mais interessante. no disco”.

Fotos: Lucas Furlan

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