Resenha | ‘Infiltrado na Klan’ é melhor do que muitas obras de ficção

Infiltrado na Klan é o livro que serviu de base para o filmaço de mesmo nome que o diretor Spike Lee lançou em 2018, e que ganhou o Oscar de “melhor roteiro adaptado” no ano seguinte. A história real narrada aqui é melhor do que muitas obras de ficção: em 1978, na cidade de Colorado Springs, o detetive negro Ron Stallworth se infiltrou na Ku Klux Klan, o temido grupo americano de supremacistas brancos.

Stallworth, na época com 25 anos, respondeu a um anúncio (!) da KKK publicado num jornal local, fingindo ser branco e racista. Ele deixou um telefone secreto da polícia como contato, mas usou seu nome verdadeiro. Poucos dias depois, recebeu uma ligação de um membro da Klan: o sujeito queria conhecê-lo pessoalmente, por acreditar que ele tinha potencial para se juntar ao grupo.

Assim teve início uma investigação inusitada sobre as atividades da KKK em todo o estado do Colorado. Stallworth interagia com os supremacistas à distância, enquanto um policial branco — identificado no livro apenas como Chuck — se passava por ele nos encontros presenciais. Não demorou pra que Ron Stallworth fosse aceito na organização e recebesse sua carteirinha de “cavaleiro da Ku Klux Klan” — sendo, provavelmente, o único negro na história a possuir aquela porcaria.

O escritor e ex-detetiveRon Stallworth. (Foto: Divulgação)

Apesar de descrever uma operação policial envolvendo grupos de ódio, Infiltrado na Klan é um livro bem leve, e o texto de Stallworth é agradável, informativo e bastante didático.

Quem viu o filme pode ficar um pouco decepcionado ao descobrir que passagens importantes do longa (o ataque à bomba, o relacionamento amoroso de Ron com uma ativista) são recursos dramáticos e não aconteceram de verdade. Do mesmo modo, o desfecho da investigação é morno, já que a operação serviu muito mais para fins de informação, inteligência e prevenção.

Por outro lado, o epílogo do filme, que surpreende e choca o espectador, saiu diretamente do livro. E por mais inacreditável que pareça, Ron Stallworth — o verdadeiro — realmente foi obrigado a atuar como guarda-costas de David Duke, o líder da Klan, durante sua visita à Colorado Springs e conseguiu tirar uma foto com ele.

O tratamento dado a Duke (que usava a ridícula alcunha de “grande mago”) e aos membros da KKK é um dos pontos altos do livro. Stallworth não perde nenhuma oportunidade de mostrar que, por trás do discurso de superioridade, eles eram um bando de tapados que não desconfiaram em nenhum momento que estavam sendo enganados.

Recomendação dupla: leia e assista Infiltrado na Klan.


INFILTRADO NA KLAN
Autor:
Ron Stallworth
Tradução: Jacqueline Damásio Valpassos
Editora: Seoman
Páginas: 216
Onde comprar: Amazon | Grupo Editorial Pensamento

Livro recebido através da parceria com a editora Seoman.


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

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