Crítica | Cargo (2018)

A sinopse de Cargo é bem interessante e original (coisa rara, considerando que se trata de mais um filme com zumbis): um homem vaga por uma Austrália infestada de mortos-vivos, tentando proteger sua filha bebê, Rosie. O problema é que ele foi atacado por um “walking dead” e também vai se transformar numa dessas criaturas dentro de 48 horas.

O ator inglês Martin Freeman é quem dá vida a Andy, o pai em contagem regressiva. Ele é o grande atrativo do filme e desempenha com a competência de sempre o papel do sujeito comum em meio a situações extraordinárias (como o Bilbo, da trilogia O hobbit, ou o Watson da série Sherlock).

Quem também se destaca no elenco é a estreante Simone Landers, no papel da jovem aborígene Thoomi, que ajuda Andy em sua jornada.

Mas apesar do ponto de partida original e do bom desempenho dos dois atores principais, Cargo tem alguns problemas…

Rosie, Andy (Martin Freeman) e Thoomi (Simone Landers) em cena de “Cargo”.

O filme é uma adaptação do curta-metragem de mesmo nome, dirigido por Ben Howling e Yolanda Ramke, mesma dupla responsável pelo longa. Entretanto, alguns elementos que foram adicionados à nova versão não funcionam bem e parecem só encher linguiça.

O principal problema, na minha opinião, foi o arco dos aborígenes, uma das novidades em relação ao curta. O roteiro gera muita expectativa em torno dos parentes de Thoomi, especialmente do “Homem Sábio”, mas a participação deles é insignificante e poderia ter sido melhor desenvolvida.

A presença de um antagonista humano também acrescenta pouco à história. Além de ser um clichê, o personagem que se revela um vilão não tem muita graça e não faria falta nenhuma.

Se você já viu Cargo, assista ao curta-metragem e veja como ele é bom, mesmo sem os aborígenes e o “vilão humano” (mas, se você ainda não assistiu e não quer spoilers, não veja):

Voltando aos pontos positivos de Cargo, os diretores acertaram ao focar no drama familiar: o mais importante no filme é a relação entre Andy e Rosie, e como ela se fortalece ao longo da trama. Os dois encontros que Andy tem com uma outra família são muito mais impactantes do que os ataques dos zumbis.

Aliás, quem estiver procurando um filme apenas para levar sustos, vai se decepcionar com Cargo. Repito: o foco está na relação familiar; os zumbis servem apenas de pano de fundo.

Levando tudo isso em conta, dá pra dizer que Cargo é um bom filme. Não é uma obra-prima e deixa a impressão de que ficou um pouco abaixo do seu potencial, mas, ainda assim, vale pelas presenças de Martin Freeman e Simone Landers, pela originalidade de seu ponto de partida e pela sua abordagem da relação entre pai e filha.

AVALIAÇÃO

3-estrelas-2

Imagens extraídas da internet.

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