Resenha | A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson

A sutil arte de ligar o f*da-se
Autor: Mark Manson
Tradução: Joana Faro
Editora: Intrínseca
Páginas: 224
Onde comprar: Amazon

Eu nunca tive muito interesse por obras de autoajuda. Os livros desse gênero sempre me pareceram uma grande enganação, com suas fórmulas para o sucesso e seu otimismo exagerado. Portanto, foi com receio que comecei a ler o best-seller A sutil arte de ligar o f*da-se, do norte-americano Mark Manson. Mas não é que o livro me surpreendeu positivamente? Primeiro, por não ser nada do que eu estava pensando, e, segundo, pela abordagem do autor.

Pelo título, acreditei que Manson ensinaria o leitor a dar uma de louco e não se importar com nada. Eu estava errado – segundo ele, uma pessoa que não se importa com nada é um psicopata. Na verdade, o autor defende que muitos dos parâmetros de sucesso existentes na nossa sociedade são falsos e superficiais – pra não dizer inalcançáveis. São para esses valores que nós devemos ligar o foda-se, pra que possamos dedicar nosso tempo e energia para as questões que são importantes de verdade.

Nas palavras do próprio Manson:

“A ideia de ligar o foda-se é um jeito simples de reorientar nossas expectativas e descobrir o que é ou não importante na vida.”

Essa reorientação de expectativas teria início com a aceitação de um fato que vai contra o que diz a maioria dos livros de autoajuda: talvez você não seja uma pessoa particularmente especial.

Essa colocação pode chocar muitos leitores, mas, segundo o autor, é fundamental pra que as pessoas se livrem do fardo que é a obsessão pelo “sucesso” (no sentido de ter um salário astronômico, o carro do ano, uma casa com piscina ou a fama nas redes sociais) e da angústia que nasce quando esse tipo de “sucesso” não vem.

Da mesma forma, reconhecer e aceitar suas falhas e vulnerabilidades, aprendendo com elas, permite que as pessoas evoluam e se aprimorem no âmbito pessoal e profissional.

Com essa atitude, é possível ligar o foda-se para valores superficiais (como fama e bens materiais excessivos) e se importar em ter bons amigos e um emprego no qual você se realize, por exemplo.

No fim das contas, o que Mark Manson quer dizer é: pare de sofrer pelas coisas que não estão ao seu alcance, busque a simplicidade e valorize o que você tem e quem você é. Não é uma ideia original, mas funciona no livro.

Manson usa uma linguagem bem jovial, cheia de piadas, gírias e palavrões, tornando o texto leve e bem humorado, mesmo nos momentos mais sérios. Pra exemplificar suas teorias, o autor usa personagens reais como o escritor Charles Bukowski e Pete Best, o primeiro baterista dos Beatles.

Como todo livro do gênero, A sutil arte de ligar o f*da-se busca expor fórmulas que permitiriam o desenvolvimento pessoal do leitor, embora se destaque pelo bom humor e por certa rebeldia. Continuo acreditando que essas fórmulas não são 100% eficazes, uma vez que as pessoas são muito diferentes umas das outras.

Mas, pela primeira vez, me identifiquei com um livro de autoajuda e me diverti bastante durante a leitura. Gostei.

AVALIAÇÃO

4-estrelas-2

 Fotos: Lucas Furlan

3 comentários em “Resenha | A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson

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