Resenha | Demolidor – A queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli

Demolidor – A queda de Murdock
Autores:
Frank Miller e David Mazzucchelli
Tradução:
Jotapê Martins e Fernando Lopes
Editora:
Salvat
Páginas:
196
Onde comprar:
Amazon

Originalmente uma série dividida em sete partes, A queda de Murdock foi relançada num volume único como parte da coleção oficial de graphic novels da Marvel publicada pela editora Salvat. Com texto de Frank Miller e arte de David Mazzucchelli, ela foi publicada em 1986 e é considerada por muitos como a melhor história do “homem sem medo”. Aliás, se você quer saber se o personagem faz jus a esse slogan, A queda de Murdock tem a resposta definitiva.

Antes de começar a resenha, preciso fazer uma breve apresentação pra quem não está familiarizado com o herói.

O Demolidor, na verdade, é o advogado cego Matt Murdock. Ele perdeu a visão depois de salvar um velho, também cego, que seria atropelado por um caminhão. O veículo transportava uma substância radioativa, que acabou caindo em seus olhos. A tal substância tirou a capacidade de Matt enxergar, mas aguçou espetacularmente seus outros sentidos.

Depois que seu pai foi assassinado, ele começou a combater o crime, disfarçando sua verdadeira identidade sob o uniforme do Demolidor. Murdock é um exímio lutador e sua cegueira é totalmente compensada por seus sentidos afiados.

Nas primeiras páginas, já dá pra perceber que A queda de Murdock será uma história dura, violenta e sem concessões. Nelas, descobrimos que Karen Page, a graciosa ex-namorada do herói, está vivendo no México e se tornou viciada em heroína, depois de uma fracassada tentativa de se tornar atriz em Hollywood. Sem dinheiro, ela troca uma dose da droga por uma revelação valiosíssima: a identidade do homem por trás do Demolidor.

A informação de que Matt Murdock é o herói é levada até Wilson Fisk, o Rei do Crime, o gangster mais perigoso de Nova York. Usando seu poder e influência, Fisk decide acabar com a vida do advogado, sem mata-lo: Matt é denunciado sob falsas acusações, vê sua reputação ir por água abaixo e perde a licença para trabalhar; suas contas são bloqueadas e ele fica sem dinheiro; sua casa explode, e por aí vai…

Frank Miller chega a ser cruel na forma como ele trata Murdock. O personagem quase fica louco e se torna paranoico, desconfiando inclusive de seu sócio e melhor amigo, Foggy Nelson.

Sua jornada rumo à redenção (e à vingança) é longa e dolorosa, e é mostrada de forma quase religiosa. Não por acaso, as sete partes da história têm nomes como Apocalipse, Purgatório e Renascido. Uma freira também tem um papel importante na trama.

O processo de ressurgimento do Demolidor só mostra como ele é um herói forte e obstinado. Mas Matt Murdock não é o único personagem construindo brilhantemente.

O Rei do Crime, mesmo sem nenhum poder sobre-humano, é um vilão e tanto. Gigantesco, ele sabe usar a força física quando é necessário, mas suas maiores armas são sua influência e o medo que desperta. Através de chantagens, subornos e todo tipo de ameaça, o Rei manipula todas as pessoas ao seu alcance, sejam elas aliadas ou não. E o pior: sem se comprometer com a justiça.

Os contrastes entre Matt Murdock e Wilson Fisk também são muito interessantes. Por exemplo: enquanto o Demolidor é cego, o Rei do Crime tem “olhos” em todos os lugares, através de sua vasta rede de espiões.

Outro personagem impressionante é o repórter Ben Ullrich. Ele tem pistas que indicam que Fisk está por trás dos crimes que causaram a desgraça de Murdock, mas logo começa a ser ameaçado por ele. Sua indecisão entre denunciar os crimes do Rei e limpar o nome do advogado, ou salvar a própria vida e proteger a esposa, faz dele uma das figuras mais complexas da trama.

E não dá pra não falar da arte de David Mazzucchelli. Os traços do desenhista são sensacionais e combinam perfeitamente com a narrativa de Frank Miller (eles voltariam a trabalhar juntos em Batman: Ano um). As cenas de ação desenhadas por Mazzucchelli são de tirar o fôlego, como as que acontecem no clímax da história e quando a casa de Ben Ullrich é invadida.

Destaque também para a angustiante sequência em que Ben “testemunha” um assassinato pelo telefone sem poder fazer nada, enquanto seus colegas do jornal conversam ao fundo e cobram que ele termine logo o artigo que está escrevendo.

Essa coleção de graphic novels publicada pela Salvat é excelente. Os livros tem capa dura e trazem extras, como as biografias dos personagens e dos autores.

Se você deseja conhecer melhor o Demolidor, ou simplesmente quer ler uma história inteligente, cheia de ação e brilhantemente escrita e desenhada, deve ler A queda de Murdock. Se ainda não te convenci, vou dar um spoilerzinho de leve: personagens muito importantes do Universo Marvel fazem uma pequena participação.

E sim: o Demolidor, sem dúvida, merece ser chamado de “O homem sem medo”.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan

3 comentários em “Resenha | Demolidor – A queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli

  1. Essa é umas das minhas HQs favoritas!
    Li essa história pela primeira vez quando foi publicada pela Abril nos anos 80, inclusive com a editora alterando a cena na qual Karen Page se vicia: ao invés de uma seringa de heroína, trocaram por uma navalha 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Marcelo! Eu já tinha ouvido falar de “A queda de Murdock”, mas nunca tinha lido… Realmente, a fama dessa HQ é mais do que merecida, já virou uma das minhas favoritas também!

      Um abraço

      Curtir

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