Resenha | Eric Clapton – A autobiografia, de Eric Clapton

Depois de ficar muito tempo esgotada, a autobiografia do cantor e guitarrista Eric Clapton ganhou uma nova edição da editora Planeta. A notícia é excelente: na minha opinião, trata-se de uma das melhores biografias que já foram escritas!

Sem dor, sem ganho

Você já ouviu a expressão “no pain, no gain” (literalmente “sem dor, sem ganho”, em português)? Ela era muito usada para defender a tese de que parte do talento dos melhores músicos de blues era proveniente do sofrimento pelo qual eles passaram em suas vidas. A ideia pode parecer exagerada, mas uma coisa não dá pra negar: Eric Clapton – o principal e mais importante bluesmen inglês – passou por poucas e boas em seus mais de 70 anos de existência. E nenhum desses momentos ruins ficou de fora de sua autobiografia.

Clapton nasceu depois que sua mãe, ainda adolescente, se envolveu com um piloto canadense, que já era casado, durante a Segunda Guerra. Eric foi criado pelos avós e cresceu acreditando que era filho deles, pensando que sua mãe legítima era apenas sua irmã.

Eric Clapton, ainda criança, em Ripley, sua cidade natal.

Anos mais tarde, ele fez parte de um dos triângulos amorosos mais conhecidos da música pop, ao se apaixonar pela atriz Pattie Boyd, então esposa de seu melhor amigo, o beatle George Harrison. Com o coração partido, ele se viciou em heroína. Quando conseguiu deixar a droga, se tornou alcoólatra. Essa fase – que durou anos – rendeu inúmeras confusões, problemas de saúde, acidentes de carro, crises de abstinência e pensamentos suicidas.

Em 1991, Clapton ainda teve que suportar a trágica morte de seu filho Conor, que tinha apenas 4 anos de idade.

Jim Gordon, Carl Radle, Bobby Whitlock e Eric Clapton, também conhecidos como Derek and The Dominos.

A honestidade e a humildade com que o guitarrista aborda no livro todos esses momentos difíceis são comoventes. Não há espaço, porém, para nenhum sensacionalismo. São poucos os artistas que teriam a coragem de se expor como Clapton fez.

Mas sua autobiografia não é formada apenas por lamentos. Afinal, além de ter superado seus demônios e de ter dado a volta por cima, Eric Clapton foi um dos músicos mais importantes do século passado e tem muitas boas histórias para contar.

O guitarrista em 1974.

Uma autobiografia rica em detalhes

Clapton narra o processo criativo por trás de praticamente todos os seus discos, fala sobre suas guitarras preferidas, conta como várias músicas foram compostas e descreve sua entrada (e posterior saída) nas bandas fantásticas em que tocou: The Yardbirds, John Mayall & The Bluesbreakers, Cream, Blind Faith, Delaney & Bonnie & Friends, Derek and The Dominos…

Ele também paga tributo a seus ídolos, como B. B. King, Muddy Waters, Robert Johnson e Big Bill Broonzy. O guitarrista foi amigo/parceiro de muitos dos principais nomes da música, e figuras como os Beatles, os Stones, Jimi Hendrix, Pete Townshend, Stevie Winwood, J. J. Cale e Aretha Franklin, entre muitos outros, marcam presença nas páginas do livro.

Eric Clapton é um sobrevivente e ele deixa claro o quanto a música foi importante em sua redenção. Sofrendo de amor por Pattie Boyd, ele gravou (com Derek and The Dominos) o discaço Layla and other assorted love songs, cuja faixa-título se tornaria um de seus grandes clássicos. Depois de perder o pai/avô e o filho Conor, Clapton compôs Tears in heaven, outro de seus maiores sucessos.

Transformar a dor em arte. É o que os grandes mestres do blues – como Eric Clapton – sempre fizeram.

Desculpe se contei demais sobre o livro, mas é difícil conter meu entusiasmo sobre ele. Eric Clapton – a autobiografia é imperdível para quem é fã do guitarrista, de música em geral, de biografias, e também para quem só quer ler uma história muito bem escrita que foi vivida de verdade por um personagem incrível.


ERIC CLAPTON – A AUTOBIOGRAFIA
Autor: Eric Clapton
Tradução: Lúcia Brito
Editora: Planeta
Páginas: 416
Onde comprar: Amazon


Postado por Lucas Furlan

É formado em Comunicação Social e trabalha com criação de conteúdo para a internet. Toca guitarra e adora música e cinema, mas, antes de tudo, é um leitor apaixonado por livros.

5 comentários em “Resenha | Eric Clapton – A autobiografia, de Eric Clapton

  1. Oi Lucas!
    Que curiosa essa história dele achar que a avó era a mãe e a mãe era a irmã. Parece coisa de filme. hehe
    Eu sabia sobre a morte do filho dele pq amo Tears in Heaven. É uma música tão maravilhosa que preciso concordar que Eric foi mestre em transformar a dor em arte.
    Gosto muito de biografias e vou colocar essa na lista.
    Beijos!

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    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Michelly!
      Você deve ter percebido que eu sou suspeito pra falar do Eric Clapton, né? rsrs
      Mas essa autobiografia é incrível mesmo. Recomendo!
      Valeu pelo comentário!

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