Análise | Game of Thrones: The dragon and the wolf (S07E07) – Com spoilers

Mais uma temporada de Game of thrones chegou ao fim, trazendo duas sensações distintas ao mesmo tempo. A primeira é a tristeza pelo longo jejum que teremos que encarar até retornarmos para Westeros. A segunda, é o alívio de saber que a série não perdeu totalmente sua essência, mesmo depois do exagerado episódio Beyond the wall. O capítulo do último domingo, The dragon and the wolf, teve sim efeitos especiais (e a cena final foi de cair o queixo), mas as bases do roteiro foram as relações humanas (especialmente as familiares) e a disputa pelo poder. Além de dragões e zumbis, foram esses dois alicerces que fizeram de Game of thrones uma série tão especial. Spoilers a seguir.

Reencontros em Porto Real

O episódio começou com o aguardado encontro dos maiores líderes de Westeros, Cersei, Daenerys e Jon, acompanhados de seus principais conselheiros. A reunião de tantos personagens importantes gerou ótimos reencontros.

Foi ótimo ver que a amizade entre Tyrion, Podrick e Bronn continua igual, mesmo que eles estejam distantes uns dos outros. A conversa entre Sandor Clegane e Brienne sobre as novas habilidades de Arya também foi muito bacana, apesar de curta. Bem menos amistoso foi o diálogo (monólogo?) entre Sandor e seu irmão, Gregor. As chances de eles se enfrentarem na última temporada cresceram consideravelmente.

Podrick, Varys, Tyrion e Bronn vão para o Fosso dos Dragões.

A chegada de Daenerys – atrasada – voando em Drogon foi impressionante, mas a riqueza da cena ficou nos pequenos detalhes, tão pequenos como uma troca de olhar. Jorah olhando admirado sua rainha. Cersei olhando com desprezo para Tyrion. Quando o anão começou a falar e foi interrompido por Euron Greyjoy, ele olhou para Jaime e a conexão entre os irmãos foi instantânea. Foi como se Tyrion dissesse “Quem é esse idiota?” e Jaime respondesse “Pergunta pra Cersei”. Se você assistir a cena novamente, vai ter essa mesma impressão.

Mas aquela reunião tinha um objetivo claro: convencer a rainha sobre a ameaça dos mortos. Cersei se assustou ao ver a criatura levada até ela por Jon Snow e Daenerys, mas impôs uma condição para lutar ao lado deles contra a ameaça vinda do Norte: Jon deveria se manter imparcial na disputa posterior entre ela e Daenerys pelo Trono de Ferro.

Jon, juramentado à herdeira Targaryen, recusou – ah, a honra dos Stark – e Cersei negou seu apoio a eles. Só depois que Tyrion conversou em particular com ela, a rainha concordou em ceder seus exércitos para lutar na Grande Guerra. Bom, quase isso…

Mais tarde ela revelaria para Jaime que tudo não passara de uma mentira. Através de Euron, e com a ajuda do Banco de Ferro de Bravos, Cersei estava contratando os mercenários da Companhia Dourada para combater seus inimigos – os vivos e, se necessário, os mortos. Decepcionado com a irmã, Jaime rompe com ela e vai sozinho para o Norte.

Cersei e Jaime Lannister.

O encontro privado entre Tyrion e Cersei deixou uma dúvida: o que o anão falou pra que ela revisse sua posição, ainda que se tratasse de um blefe?

As questões familiares foram importantíssimas nesse episódio, e a influência dos patriarcas mortos se mostraram ainda muito fortes. O nome de Tywin Lannister foi lembrado várias vezes, e Cersei não foi capaz de dar as ordens que tirariam as vidas tanto de Jaime quanto de Tyrion, mesmo julgando que seus dois irmãos eram traidores.

Influência de Ned Stark

Outro personagem morto que segue inspirando seus familiares é Ned Stark. Além de seu exemplo de honra ter influenciado Jon em sua decisão de não trair Daenerys, ele continua servindo de figura paterna para Theon Greyjoy. Depois de ter sido perdoado por Jon por suas traições e de ser considerado um Stark pelo próprio Rei do Norte, Theon decidiu tentar resgatar sua irmã, Yara, das mãos de seu tio, Euron.

Theon Greyjoy recupera sua coragem para tentar resgatar Yara.

E, falando no Norte, a hora do Mindinho chegou. Sansa, a Lady de Winterfell, auxiliada pela irmã Arya e pelas visões do passado de Bran, surpreendeu seu antigo aliado e o condenou à morte por assassinato e traição contra a sua família. A construção da cena assustou muita gente, pois dava a entender que Arya seria a ré. Na verdade, a garota foi a carrasca, e executou o Mindinho com a própria adaga que pertencera a ele. O golpe foi na garganta; uma morte justa para um personagem que causou o caos em Westeros graças à malícia de suas palavras.

Sansa e Arya, mais tarde, relembraram Ned Stark mais uma vez. Elas têm personalidades muito diferentes, mas são irmãs. E, digo mais uma vez: os laços familiares são muito fortes e importantes em Game of thrones.

Game over para o Mindinho.

Aegon Targaryen

Sam, acompanhado de Gilly e de seu bebê, foi para Winterfell para auxiliar seu amigo Jon na Grande Guerra. Ele e Bran, juntando informações e visões, cravaram de uma vez por todas: Jon Snow, na verdade, é Aegon Targaryen, filho de Rhaegar Targaryen (caracterizado praticamente como um gêmeo de Viserys) e Lyanna Stark. Isso faz dele o herdeiro legítimo dos Sete Reinos.

Enquanto eles chegavam a essa conclusão, Jon tinha sua primeira noite de amor com Daenerys. Sim, apesar de muita gente ter torcido o nariz, o casal “Jonerys” agora é realidade. As várias conversas sobre a esterilidade de Daenerys pode, paradoxalmente, dar a entender que vem um bebezinho da realeza por aí. Será?

Quem parece não ter gostado desse casal foi Tyrion. Ele viu Jon entrar no cômodo de Dany e ficou incomodado com a situação.

O casal “Jonerys” tem sua primeira noite de amor.

A queda da Muralha

Por fim, deixando o gancho para a próxima (e última temporada) Bran usou seus dons de warg e, através dos olhos de um corvo, viu uma cena assustadora: o Rei da Noite atacando Atalaialeste do Mar com Viserion (que pareceu ser muito mais rápido do que seus irmãos). O fogo (?) azul do dragão fez com que parte da Muralha caísse, permitindo a entrada do exército dos mortos em Westeros. Tormund e Beric estavam lá e tentaram fugir, mas não deu pra saber se conseguiram.

The dragon and the wolf lembrou a nós, telespectadores, porque gostamos tanto de Game of thrones. Nós ficamos boquiabertos com dragões e zumbis, mas, mesmo sabendo que eles são digitais, não podemos dizer “que marmelada” a cada vez que eles aparecem (como fizemos em Beyond the wall). Nós queremos ver Jon e Daenerys salvando o dia, mas também queremos ver Sansa, Jaime e Theon encontrando coragem para fazer o que deve ser feito. Nós adoramos ouvir o Tyrion falando e ver a Arya tocando o terror. Queremos que o Mindinho se ferre. Nós amamos odiar a Cersei.

É por isso que cada morte em Game of thrones é tão comentada e tão dolorida. A alma da série são os personagens. Eles e seus aliados. Eles e seus inimigos. Eles e suas famílias.

A sétima temporada teve altos e baixos, mas a gente mal vê a hora da oitava estrear. Pena que essa será a última vez que teremos essa expectativa.

Voando em Viserion, o Rei da Noite quebra a Muralha.

Imagens extraídas da internet.

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