Análise | Game of Thrones: Beyond the wall (S07E06) – Com spoilers

Tradicionalmente, os penúltimos episódios de Game of thrones apresentam o clímax de suas respectivas temporadas. Neles aconteceram: o julgamento de Ned Stark, a batalha da Água Negra, o “Casamento Vermelho”, a invasão dos selvagens no Castelo Negro, o primeiro voo de Daenerys em Drogon e a “Batalha dos Bastardos”. A expectativa para o episódio do último domingo, portanto, era enorme. Apesar de alguns bons momentos, faltou em Beyond the wall um dos elementos mais importantes para o sucesso desse seriado: a imprevisibilidade. A partir de agora, esse texto apresenta muitos spoilers, ok?

Arya x Sansa

Vamos deixar os fatos que ocorreram “além da muralha” (tradução em português do nome do episódio) pra daqui a pouco. Começo falando de Winterfell.

No castelo da família Stark, os planos de Mindinho estão dando certo e as diferenças entre Sansa e Arya ficam cada vez mais fortes. Arya questiona a irmã mais velha a respeito da carta escrita por ela há anos atrás, na qual Sansa pedia que Robb jurasse fidelidade a Joffrey. A nova Lady Stark se defende dizendo que era apenas uma criança e fora forçada por Cersei, mas Arya não aceita suas explicações.

Mais tarde, Sansa conversa com Mindinho – justo com ele – sobre o comportamento da irmã, e ele joga no ar que nada perigoso aconteceria entre elas enquanto Brienne estivesse por perto (afinal, Brienne tinha jurado à Catelyn Stark que protegeria suas filhas).

Sabendo disso, é surpreendente o fato de Sansa enviar Brienne para representá-la em Porto Real, depois de receber um convite de Cersei. Obviamente, ela não iria à capital enquanto sua adversária fosse a rainha, mas por que ela abriria mão de sua leal protetora? Será que Sansa está armando algo contra Arya?

É pouco provável, afinal ela sabe que sua irmã se transformou em uma guerreira (no decorrer do episódio, ela encontra os rostos que Arya levou para Winterfell e descobre que a irmã treinou com os Homens Sem Face). Quero acreditar que Sansa amadureceu como líder (ela vem dando sinais disso) e tem um plano para testar a fidelidade de Mindinho. Tomara.

O clima não anda nada bom entre Sansa e Arya.

Daenerys x Tyrion

Falando em diferenças, também estão crescendo os atritos entre Daenerys e Tyrion. O tom de suas conversas muda de uma frase pra outra. O anão teme que sua rainha tome perigosas atitudes por impulso (como, em sua opinião, ela fez ao queimar Randyll e Dickon Tarly), mas ela não parece disposta a ouvi-lo ou a aceitar suas críticas.

O clima fica mais tenso ainda quando Tyrion sugere que Daenerys já deve se antecipar e pensar em como seu sucessor ao trono será escolhido, uma vez que ela não pode mais ter filhos. Daenerys, irritada, diz que só vai pensar nisso depois que for coroada rainha de Westeros. Esse diálogo foi apenas um, dos vários que apareceram no episódio, que fez menção a filhos e herdeiros.

Daenerys resiste em ouvir os conselhos de Tyrion.

“Esquadrão suicida” x os mortos

Agora sim é hora de falar das cenas mais aguardadas de Beyond the wall, que, de certa forma, acabaram sendo decepcionantes.

Cá entre nós, a jornada de Jon Snow e seu “esquadrão suicida” para capturar um zumbi além da muralha sempre foi uma ideia de jerico. Mas, enfim, ela serviu para reunir um bando de anti-heróis numa aventura pra lá de perigosa. Isso é bacana? Sim, com certeza.

O início da viagem deles foi ótimo e serviu pra que eles se conhecessem melhor (as conversas de Jon com Beric e Jorah foram interessantes, enquanto os diálogos entre o Cão e Tormund foram divertidos, apesar de grosseiros). Muita coisa boa poderia ter sido extraída desse grupo, se eles ficassem juntos por mais episódios. A fotografia das primeiras cenas também foi excelente. Estava dando até pra perdoar aquela missão absurda.

O primeiro ataque de um “urso white walker” assustou e acabou custando a vida de Thoros de Myr, que morreria mais tarde devido aos ferimentos causados pelo animal. Além de ser um guerreiro experiente, apesar de estar sempre bêbado, Thoros também era um sacerdote do Deus Vermelho; ele era o único capaz de trazer algum deles de volta à vida caso alguma coisa desse errado. Sem Thoros, o perigo aumentava. Legal, também.

Mas quando a ação começou pra valer, os problemas do roteiro vieram à tona. E eles foram muitos. Ficou a impressão que os roteiristas buscaram sempre as soluções mais óbvias, simples e convenientes.

Beric Dondarrion e Jon Snow conversam sobre a importância de suas missões.

Jon e seus colegas encontram um bando pequeno de mortos, liderado por apenas um White Walker. Eles o atacam e, quando o Rei do Norte mata o líder, todas as outras criaturas voltam a ficar inanimadas – todas, menos uma. Sim, exatamente o que eles precisavam: uma criatura para provar que o exército dos mortos era real. Mas, antes de ser encapuzado, o zumbi grita e chama a atenção de outros mortos-vivos.

Então, Jon manda que Gendry volte para Atalaialeste do Mar para enviar um corvo para Pedra do Dragão, pedindo a ajuda de Daenerys. Gendry parte – desarmado – e, mesmo sem nunca ter estado no Norte antes, consegue retornar até o castelo na Muralha. Enquanto isso, o “esquadrão suicida” busca refúgio numa pequena elevação de gelo cercada por um lago cuja água congelou, mas formou uma superfície ainda muito fina e frágil. Eles são cercados pelos mortos, que aguardam pacientemente até que a superfície do lago congele totalmente. O Rei da Noite, líder dos White Walkers, chega ao local.

Os mocinhos são cercados pelo exército dos mortos.

O tempo passa (quanto tempo? Não sei, o tempo em Game of thrones é bem relativo) e os mortos decidem atacar. Jon, Jorah e companhia se defendem como podem, mas a diferença numérica começa a fazer diferença. Quando tudo parece estar perdido, Daenerys chega montada em Drogon, levando consigo ainda Rhaegal e Viserion.

Pois é: deu tempo do Gendry voltar para a Muralha, enviar um corvo para Pedra do Dragão, Daenerys receber o pedido de ajuda e chegar até onde os mocinhos estavam – sendo que ela também não conhece o Norte.

Durante o resgate dos heróis, acontece o momento mais dramático do episódio: o Rei da Noite arremessa uma lança (com as próprias mãos) contra Viserion e consegue abater o dragão, que morre derramando sangue e fogo, antes de afundar na água congelada. Rhaegal, o outro dragão, simplesmente desaparece da cena.

Jon Snow indestrutível

Daenerys parte levando os homens (e o zumbi refém) montados em Drogon, mas Jon Snow fica pra trás, sendo derrubado pelos mortos em mais uma fenda do lago congelado.

Obviamente, ele consegue sair da água (e sua tomada de ar remete à sua ressurreição pelas mãos de Melisandre) e recuperar sua espada, mas se vê sozinho e debilitado para enfrentar milhares de mortos. É então que Benjen Stark, seu tio, que tinha se tornado uma espécie de zumbi do bem, aparece do nada; ele ordena que Jon fuja em seu cavalo e se sacrifica para salvar o sobrinho.

Jon Snow consegue voltar para Atalaialeste do Mar, onde uma angustiada Daenerys aguardava por ele. Eles embarcam num navio (para Pedra do Dragão? Para Porto Real?) e, num clima romântico e açucarado, Jon aceita dobrar o joelho por ela, enquanto Daenerys concorda em lutar contra o Rei da Noite ao lado dele. Ela também vê as cicatrizes em seu peito.

Inacreditavelmente, a Mãe dos Dragões não derramou uma lágrima por Viserion (ao contrário de vários telespectadores) e Jon pareceu ter ficado mais sentido com a perda do animal do que ela. Nem o nome dele foi falado – pra descobrir qual dragão tinha morrido, precisei recorrer ao Google.

Quando a gente pensava que o episódio terminaria naquela atmosfera romântica entre Jon e Dany, vemos o Rei da Noite resgatando Viserion das águas congeladas e transformando-o num “dragão de gelo zumbi”. Sim, isso também foi bacana.

Viserion, depois de ser ressuscitado pelo Rei da Noite.

Altos e baixos

Apesar de considerar que Beyond the wall teve um roteiro bem fraco e uma sequência de guerra a quilômetros de distância das imprevisíveis batalhas de The watchers on the wall (quarta temporada), Hardhome (quinta) e Battle of the bastards (sexta temporada), o episódio teve bons momentos:

– a trilha sonora durante o ataque dos mortos e na chegada dos dragões foi perfeita;
– gostei muito dos diálogos entre os membros do “esquadrão suicida”. Espero que eles se unam novamente numa missão menos estapafúrdia;
– foi angustiante ver Tormund quase morrer e pedir por socorro desesperadamente. Já que ele sobreviveu, espero que ele e Brienne fiquem juntos e tenham muitos “pequenos monstros”;
– no quesito “efeitos especiais”, o ataque dos dragões foi tecnicamente perfeito;
– a morte de Viserion também foi bem impactante. A cena foi triste (o grito de Drogon ao ver a queda do irmão foi doloroso) e até fez esquecer que se tratava de um animal digital;
– quando Viserion foi atingido, deu pra ver que os dragões são feitos de sangue e fogo;
– a teoria de um dragão de gelo já tinha sido levantada por muita gente e, agora que se concretizou, torna o Rei da Noite ainda mais perigoso. Para a série, isso é ótimo.

Talvez a expectativa para esse episódio tenha sido alta demais, mas não dá pra negar os deslizes no roteiro. Em Beyond the wall, Game of thrones se afastou de sua essência (ser uma história de fantasia inteligente e nada infantil) e se aproximou perigosamente do pior tipo de cinema comercial de Hollywood: aquele que é visualmente perfeito, mas simplista demais. É claro que eu não vou deixar de ser fã e nem parar de assistir Game of thrones depois de Beyond the wall, mas, se eu tivesse conhecido a série a partir desse episódio, não teria tanto entusiasmo para seguir adiante.

Mas vamos manter a esperança de que na semana que vem as coisas se acertem.

Imagens extraídas da internet.

3 comentários em “Análise | Game of Thrones: Beyond the wall (S07E06) – Com spoilers

  1. Adorei sua análise! Muita gente adorou o episódio, mas eu acho que tinha muitas expectativas de encontrar isso aí que vc falou de “fantasia inteligente”. Essa última temporada tem bastante coisa “pop”, o que dá uma tristeza para quem assiste desde o começo, né? Não vim até aqui pra desistir agora. Veremos o que os roteiristas prepararam para o próximo episódio! Algum palpite?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigado, Daniela!

      Bom, para o próximo episódio, acredito que a Cersei esteja planejando alguma coisa, já que muitos de seus inimigos estarão em Porto Real. Vamos ver se ela vai entender o tamanho da ameaça dos White Walkers e vai se aliar, ainda que provisoriamente, com o Jon e a Daenerys.

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