Diários #4 | Uma conversa com leitores homens no Dia Internacional da Mulher

Hoje é o Dia Internacional da Mulher, mas a conversa deste 8 de março é com você, marmanjo. Diz pra mim: qual foi o último livro escrito por uma mulher que você leu?

Pois, é. Acredito que não seja culpa sua. Devo reconhecer que as mulheres são minoria também na minha biblioteca… Mas que tal transformar um livro de uma escritora em nossa próxima leitura?

Eu tenho algumas sugestões.

Pra começar, uma indicação óbvia: Clarice Lispector. Ela teve toda a sua produção de histórias curtas reunidas num volume espetacular, Todos os contos, publicado pela Rocco. E se você gosta da Clarice, deve correr atrás também de duas autoras que a influenciaram: a norte-americana Flannery O’Connor e a neozelandesa Katherine Mansfield. As três foram classificadas como modernistas e tinham um conhecimento profundo da alma feminina. Você pode ainda respirar fundo e dar um mergulho nas páginas profundas de Virginia Woolf. O Modernismo Brasileiro também é uma ótima pedida, nas páginas de Lygia Fagundes Telles e Rachel de Queiroz.

Voltando mais no tempo, é difícil imaginar o Romantismo Inglês sem citar dois nomes: Mary Shelley e Emily Brontë. Shelley é a autora do clássico do terror Frankenstein, que está disponível no Brasil em edições muito caprichadas. E Brontë escreveu uma das obras mais viscerais e apaixonantes da literatura mundial: O morro dos ventos uivantes. As irmãs dela, Charlotte e Anne Brontë também deixaram sua marca, com livros como Jane Eyre e Agnes Grey, respectivamente. Mas Emily é a minha favorita das três.

Irmãs-Brontë-ok
As irmãs Brontë (da esq. para a dir.: Anne, Emily e Charlotte)

E não dá pra falar de mulheres escritoras sem lembrar de Jane Austen. Apesar de ter nascido em 1775, ela criou personagens femininas fortes e independentes, que questionavam os padrões da sociedade da época em obras como Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade.

Se você não gosta de romances realistas e prefere ficção especulativa, deve ler Ursula K. Leguin. Ela vai da fantasia (com o Ciclo Terramar) à ficção científica com discussão sobre os gêneros (em A mão esquerda da escuridão) com a mesma qualidade e criatividade.

E falando em discussão de gêneros, deixe o preconceito de lado e leia autoras que abordam o Feminismo, como a francesa Simone de Beauvoir e a nigeriana Chimanda Ngozi Adichie (leia nossa resenha sobre Sejamos todos feministas aqui).

Nas histórias policiais, dois nomes são obrigatórios: Patricia Highsmith e, claro, Agatha Christie.

A literatura de entretenimento contemporânea tem uma grande presença feminina. Há quem ame, há quem odeie, mas não dá pra negar que Crepúsculo, Jogos vorazesDivergente e 50 tons de cinza foram alguns dos grandes fenômenos literários deste século. E todos foram escritos por mulheres. Assim como a dobradinha Como eu era antes de você e Depois de você, livros que colocaram Jojo Moyes por várias semanas no topo das listas de mais vendidos.

j-k-rowling
J. K. Rowling, a autora de Harry Potter

E Harry Potter? Uma das sagas mais adoradas de todos os tempos, que formou toda uma geração de novos leitores, foi criada por uma secretária inglesa chamada Joanne Rowling, que, ironicamente, assinou seus livros como J. K. Rowling, pois os editores temiam que meninos não leriam uma obra escrita por uma mulher…

Como você pode ver, opções não faltam, do clássico ao contemporâneo, do erudito ao pop. Vamos deixar combinado? Vamos ler mais mulheres?

Imagens extraídas da internet.

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s