Resenha | Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel García Márquez

capa-morte-anunciadaCrônica de uma morte anunciada
Autor: Gabriel García Márquez
Tradução: Remy Gorga Filho
Editora: Record
Páginas: 160
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Hoje é dia de escrever sobre um grande clássico da literatura: Crônica de uma morte anunciada, do colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014). O livro foi publicado em 1981, um ano antes do escritor receber o Prêmio Nobel de Literatura.

A morte de Santiago Nasar

A frase de abertura da obra é famosa:

No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo.

Sim, na primeira frase já sabemos de quem é a morte anunciada no título. Santiago Nasar, um jovem rico de 21 anos, será assassinado à facadas nas próximas páginas.

O narrador do livro é um primo de Santiago, que, depois de quase 30 anos do crime, faz uma espécie de investigação jornalística para tentar entender melhor o que aconteceu. Sua narrativa é baseada nos relatos dos moradores da cidadezinha onde eles viviam. Seus depoimentos apresentam algumas contradições e, por vezes, beiram o absurdo.

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Capa do meu exemplar do livro (41a edição).

Estilo exuberante e personagens inertes

Crônica de uma morte anunciada é uma grande amostra do talento de García Márquez para contar histórias. Ainda que se aproprie do rigor que o jornalismo exige, seu texto é exuberante. Apesar do tema pesado, sua prosa não é depressiva – ao contrário, é cheia de vida (mas as descrições do assassinato e da autópsia de Santiago Nasar são agoniantes).

E se não bastasse a qualidade do texto, Gabo (apelido de Gárcia Márquez) solta aos poucos as demais informações sobre o crime. O leitor já sabe quem vai morrer, mas quer descobrir quem são os assassinos, qual o motivo do crime e como o assassinato aconteceu. Isso faz com que seja difícil largar o livro. O romance é curto e foi dividido em cinco partes, que são praticamente simétricas em relação ao tamanho.

Apesar do prazer que é ler um livro de Gabriel García Márquez, Crônica de uma morte anunciada causa um grande desconforto no leitor, e os culpados são os personagens. Antes de cometer o crime, os assassinos de Santiago (sim, são dois criminosos) revelam suas intenções para praticamente toda a cidade, exceto para a vítima e seus amigos mais próximos. Parece até que eles esperam que alguém os impeça. Mas, por diferentes motivos, ninguém faz absolutamente nada! E olha que Santiago Nasar, mesmo sem ser um anjo de candura, era querido e respeitado no local.

Dá vontade de dar um chacoalhão em todo mundo…

Uma obra com diferentes leituras

Crônica de uma morte anunciada permite diferentes leituras. O livro pode ser visto como uma crítica ao egoísmo e à inércia das pessoas. Pode também ser uma alegoria sobre a impotência de homens e mulheres contra o destino, já que uma série de coincidências e mal-entendidos aproximam Santiago das facas que o aguardam.

Eu gostei muito do livro e, com certeza, recomendo a leitura. Deixo apenas um aviso pra você que gosta de tramas onde tudo se esclarece sem arestas: com tantos depoimentos diferentes (muitos deles prejudicados pela passagem do tempo), o narrador e o leitor ficam com algumas perguntas sem resposta. Como, aliás, acontece várias vezes na vida e também na morte.

AVALIAÇÃO

5-estrelas-2

Fotos: Lucas Furlan, exceto imagem de García Márquez (extraídas da internet).

4 comentários em “Resenha | Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel García Márquez

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