Lista | 12 grandes finais da literatura (Parte I)

Muita gente já fez listas elegendo os “melhores inícios de livros” da história da literatura. Por minha mania de ser do contra, escolhi elencar os “melhores finais”.

Esta lista não pretende ser definitiva. As obras foram escolhidas num simples passar de olhos pela minha estante, e a seleção foi profundamente pessoal.

Estes livros apresentam finais que nunca saíram da minha memória. Nem é preciso alertar que alguns trechos abaixo podem trazer muitos spoilers. Abaixo você confere a primeira metade; os outros seis livros serão postados na semana que vem.

1 – O velho e o mar – Ernest Hemingway (tradução: Fernando de Castro Ferro) – Bertrand Brasil

Lá em cima, na cabana, o velho estava dormindo de novo, com o rosto escondido no monte de jornais que lhe servia de almofada. O garoto estava sentado a seu lado, observando-o. O velho sonhava com leões.

(Leia a resenha de O velho e o mar aqui.)

2 – O hobbit – J. R. R. Tolkien (tradução Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta) – WMF Martins Fontes

– Então as profecias das antigas canções tornaram-se verdade, de certa forma! – disse Bilbo.

– É claro! – disse Gandalf. – E por que não deveriam? Com certeza você não deixou de acreditar nas profecias só porque contribuiu em parte para realizá-las? Você não acha, não é mesmo, que todas as suas aventuras e fugas foram conseguidas por mera sorte, apenas para seu próprio benefício? Você é uma ótima pessoa, Sr. Bolseiro, e gosto muito de você; mas, afinal de contas, você é apenas uma pessoazinha neste mundo enorme!

– Ainda bem! – disse Bilbo, rindo, e ofereceu-lhe a vasilha de fumo.

(Leia a resenha de O hobbit aqui.)

3 – A outra volta do parafuso – Henry James (tradução Paulo Henriques Britto) – Penguin-Companhia

Mas ele já se virara para trás num movimento espasmódico, olhara outra vez e não vira senão o dia tranquilo. Com o golpe da perda de que eu tanto me orgulhava, ele emitiu o grito de uma criatura lançada num abismo, e o gesto com que o agarrei foi como se eu o houvesse apanhado em plena queda. Apanhei-o, sim, segurei-o – pode-se imaginar com que paixão; mas no final de um minuto comecei a me dar conta do que eu na verdade tinha nas mãos. Estávamos sozinhos com o dia silencioso, e seu pequeno coração, não mais possuído, havia parado.

(Leia a resenha de A outra volta do parafuso aqui.)

4 – O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde – Robert Louis Stevenson (tradução Andréa Rocha) – Cosac Naify

Daqui a meia hora, quando devo mais uma vez e para sempre reassumir aquela odiada personalidade, sei como deverei sentar-me trêmulo e choroso em minha poltrona, ou então continuar, na mais tensa e temerosa exaltação, a percorrer este aposento de um lado para outro (meu último refúgio terreno) ouvindo, atento, cada som ameaçador. Será que Hyde morrerá no cadafalso? Ou encontrará coragem para libertar-se no último momento? Só Deus sabe; não me importo; esta é a verdadeira hora da minha morte, e o que acontecer depois diz respeito a outro que não eu. Aqui então, neste momento em que pouso a caneta sobre a mesa e começo a lacrar minha confissão, ponho fim à vida do infeliz Henry Jekyll.

(Leia a resenha de O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde aqui.)

5 – Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis – Penguin-Companhia

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: – Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

6 – O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger (tradução de Álvaro Alencar, Antônio Rocha e Jório Dauster) – Editora do Autor

Eu não soube o que dizer. Para ser franco, não sei o que eu acho disso tudo. Tenho pena de ter contado o negócio a tanta gente. Só sei mesmo é que sinto uma espécie de saudade de todo mundo que entra na estória. Até do safado do Stradlater e do Ackley, por exemplo. Acho que sinto falta até do filho da mãe do Maurice. É engraçado. A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.

E qual é o seu final de livro inesquecível? Responda nos comentários – avise se for dar spoilers – e não se esqueça: a lista das seis obras que faltam sai na semana que vem. Até!

 

 

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