Indicado ao Oscar, documentário sobre proibição de livros pode ser visto no streaming

‘The ABCs of Book Banning’ está disponível no Paramount+

Está disponível no Paramount+ o documentário “The ABCs of Book Banning”, que aborda o fenômeno recente da proibição de livros nos Estados Unidos — até o ano passado, mais de 2 mil títulos foram retirados de bibliotecas escolares no país. Com 27 minutos de duração, a produção concorre ao Oscar deste ano na categoria “documentário em curta-metragem”.

A censura de livros é mais forte em estados conservadores. Por isso, a maior parte das obras que foram banidas, ou tiveram a circulação restrita, trata de questões como racismo, gênero, feminismo e empoderamento de minorias. Em comum, todas questionam o status quo de alguma maneira.

Entre os livros censurados, estão clássicos como “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, “Amada”, de Toni Morrison, e “Matadouro-Cinco”, de Kurt Vonnegut. Mas o banimento também atinge obras contemporâneas, como “O Ódio que Você Semeia”, de Angie Thomas. Acredite se puder: “O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien, só pode ser emprestado de algumas bibliotecas sob supervisão e com a autorização de pais ou responsáveis.

“The ABCs of Book Banning” tem uma característica original. Ao invés de entrevistar especialistas e autoridades favoráveis ou contrários à proibição de livros, a diretora Sheila Nevins optou por ouvir a opinião de crianças e adolescentes. Esses jovens leitores tiveram acesso, de acordo com a sua faixa etária, a livros banidos, e contam o que acharam da leitura. Eles mostram uma maturidade que muita gente crescida não tem.

Uma menina de nove anos, por exemplo, lê o livro ilustrado que a poeta Nikki Giovanni escreveu sobre Rosa Parks, a mulher negra que, em 1955, desobedeceu as leis de segregação racial e se recusou a ceder seu lugar no ônibus para um homem branco. Com esse gesto simples, mas extremamente corajoso, ela se tornou um símbolo na luta pelos direitos civis dos negros.

A garota não entende por que o título foi banido, e pergunta: “Você acha que Rosa Parks é uma má pessoa? (…) “Acha que as pessoas não devem conhecer o seu legado?”

O documentário ainda conta com pequenas animações, exibe trechos de obras banidas e apresenta o depoimento de alguns autores que tiveram livros censurados.

Outro destaque é Grace Linn, uma senhora de 100 anos que vai protestar contra a censura em uma reunião de uma junta escolar. Ela conta que seu marido morreu em combate na Segunda Guerra Mundial, enquanto defendia as liberdades ameaçadas ou destruídas pelos nazistas. Entre elas, a liberdade de ler o que se quisesse. É um depoimento comovente, mas firme.

Aliás, é curioso observar que duas obras em quadrinhos que denunciam os horrores do nazismo estejam entre aquelas que foram censuradas: “Maus”, obra-prima de Art Spiegelman, e a adaptação de “O Diário de Anne Frank”. Eu repito a pergunta da leitora de nove anos: por que os censores não querem que essas histórias sejam conhecidas?


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