Resenha | ‘Menino de Engenho’, de José Lins do Rego

Carlinhos é um garoto de quatro anos que, depois de uma tragédia — seu pai assassinou sua mãe —, é levado para viver no engenho de seu avô, o poderoso coronel José Paulino. Ele passa lá toda a sua infância, fazendo descobertas e vivendo novas experiências, que vão desde conhecer um bando de cangaceiros até iniciar, aos 12 anos, de forma precoce e compulsiva, sua vida sexual.

Esse é um resumo bem superficial do clássico “Menino de Engenho”, primeiro livro do paraibano José Lins do Rego, publicado em 1932. Com temática regionalista e marcado pela oralidade, o romance é um dos mais característicos da segunda fase do Modernismo brasileiro.

O escritor se inspirou nas recordações da própria infância, por isso o livro é bastante nostálgico. Esse sentimento fica ainda mais forte quando lembramos que José Lins do Rego acompanhou o declínio dos grandes engenhos nordestinos no começo do século 20 — eles foram substituídos por usinas.

A decadência dos engenhos é um dos temas do chamado “ciclo da cana-de-açúcar”, série de cinco livros de Lins do Rego que se inicia, justamente, com “Menino de Engenho”. (Os demais são “Doidinho”, “Banguê”, “Usina” e “Fogo Morto”. Há ainda um outro livro sobre um personagem recorrente no ciclo, “O Moleque Ricardo”.)

José Lins do Rego (ao centro) ao lado de (da esq. para a dir.) Cyro dos Anjos, Marques Rebelo, Eustáquio Duarte e Willy Lenin. Foto: Domínio público / Acervo Arquivo Nacional

Embora a crítica social não apareça de maneira explícita, a má condição dos trabalhadores do engenho, bem próxima da escravidão, é descrita diversas vezes na obra. As jornadas são longas e exaustivas, e os trabalhadores estão sujeitos a sofrer castigos físicos. Além disso, a velha senzala da fazenda continua sendo habitada, e as mulheres negras são vistas como objetos sexuais.

Porém, mais do que a nostalgia e a crítica social, acredito que a principal característica de “Menino de Engenho” é o vigor. O texto de José Lins do Rego é vibrante e consegue transmitir a intensidade de cada descoberta que Carlinhos faz.

PS: com “Menino de Engenho” eu inicio a leitura do “ciclo da cana-de-açúcar” completo. Em breve, portanto, publico a resenha de “Doidinho”.


MENINO DE ENGENHO
Autor:
José Lins do Rego
Editora: Global
Páginas: 144
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Livro recebido através da parceria com a editora.


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