Adaptação de conto de Poe dirigida por Roger Corman está disponível no YouTube

O lendário produtor e diretor de cinema Roger Corman morreu no dia 9 de maio, aos 98 anos. Ele se tornou célebre por seus filmes de baixo orçamento e por ter dado as primeiras oportunidades a jovens diretores e atores que se tornariam nomes fundamentais do cinema americano, como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Jack Nicholson.

Uma parcela da produção de Roger Corman é particularmente interessante para quem é fã de Edgar Allan Poe. Entre 1960 e 1964, Corman dirigiu oito adaptações de obras do autor americano, que formam o chamado “Ciclo Corman-Poe”.

Essas adaptações são extremamente criativas e tomam várias liberdades em relação às obras originais — às vezes, apenas pincelam as ideias de Poe. Um exemplo é “O Corvo”, de 1963. Corman parte do melancólico poema sobre luto para criar uma mistura de comédia e horror sobre vingança, onde a ave é, na verdade, um mago enfeitiçado.

Se você quiser conhecer mais sobre essa fase de Roger Corman, uma boa pedida é “A Orgia da Morte”, de 1964 — nome inacreditável dado no Brasil para “The Masque of the Red Death” —, que pode ser visto no YouTube.

Considerado um dos melhores do ciclo, o filme combina dois contos de Poe, “A Máscara da Morte Rubra” e “Hop-Frog”. O primeiro narra a história do egoísta príncipe Próspero, que realiza longas festas em seu castelo enquanto uma epidemia mortal se espalha além das muralhas. O segundo apresenta um bobo da corte em busca de vingança.

Como era de se esperar, “A Orgia da Morte” também é uma adaptação bastante livre. Há uma subtrama sobre satanismo que não existe no conto, além da inclusão de personagens camponeses, como a jovem Francesca, vivida por Jane Asher.

Vincent Price, que protagonizou sete dos oito filmes do ciclo Corman-Poe, está perfeito no papel de Próspero, mas ele não é o único destaque. A qualidade da produção surpreende. Cenários e figurinos são muito bons, a trilha sonora é excelente e a direção de Roger Corman é cheia de energia.

“A Orgia da Morte” ainda tem um ótimo trabalho de câmera — o diretor de fotografia foi Nicolas Roeg, que depois se revelaria um grande diretor, com trabalhos como “Walkabout – A Longa Caminhada”, “Inverno de Sangue em Veneza” e “O Homem que caiu na Terra”.

Embora a qualidade da produção seja superior a de muitos filmes B, existe um detalhe na escalação do elenco que tem cara de improviso total. Uma das personagens é a anã Esmeralda, que é a protegida do bobo da corte e tem uma pequena participação. Talvez por não ter encontrado uma anã adequada para o papel, Corman colocou uma criança para viver a personagem. Sua voz foi dublada por uma mulher adulta.

É bizarro de ver, mas foi uma solução rápida, eficaz e, mais importante, barata. Ponto para Roger Corman.

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